Acelerando a Transformação Digital na Saúde
Em entrevista ao Futuro Talks, Paulo Magnus, fundador e CEO da MV, ressaltou a urgência em construir mecanismos que impulsionem a adoção de novas tecnologias no setor de saúde brasileiro. Segundo Magnus, embora o prontuário eletrônico já seja uma realidade em muitas instituições, o país ainda tem um longo caminho a percorrer para integrar plenamente a inteligência artificial (IA), a interoperabilidade de sistemas e o compartilhamento de dados. Ele enfatiza que a interoperabilidade, em particular, deve evoluir de um debate técnico para resultados práticos que beneficiem diretamente a assistência ao paciente, como a redução de exames repetidos e o acesso facilitado ao histórico clínico.
IA como Copiloto do Médico e Simplificação da Jornada do Paciente
Magnus projeta um futuro onde a inteligência artificial atuará como um “copiloto” para os profissionais de saúde. Essa tecnologia será capaz de compilar e organizar informações clínicas de diversas fontes, auxiliando na tomada de decisões, resumindo históricos complexos e acompanhando a evolução dos pacientes. Essa capacidade de processamento de dados em tempo real promete agilizar atendimentos e torná-los mais personalizados. Além disso, o CEO da MV vislumbra um cenário onde tecnologias como reconhecimento facial e automação de processos simplificarão drasticamente a jornada do paciente, eliminando filas e burocracias desnecessárias.
Desafios da Adoção Tecnológica e o Potencial Brasileiro
Um dos principais obstáculos apontados por Magnus é a resistência à mudança por parte de tomadores de decisão mais conservadores e a dificuldade em visualizar o retorno sobre o investimento (ROI) em inovação. Ele compara o cenário brasileiro com o dos Estados Unidos, onde, surpreendentemente, o fax ainda é amplamente utilizado. Magnus defende a demonstração do ROI em cada etapa da implementação tecnológica, tornando a transformação digital mais palatável para as instituições. Ele acredita que o Brasil tem um potencial único para avançar, citando exemplos de integração de dados em estados como Goiás e Espírito Santo, e cidades como Belo Horizonte, como provas concretas de que a saúde digital já é uma realidade viável e benéfica no país.
Interoperabilidade Raiz e o Futuro Centrado no Paciente
O executivo defende a “interoperabilidade raiz”, que vai além da simples troca de dados e se materializa no resumo clínico inteligente. Este resumo, acessível ao profissional de saúde no momento exato do atendimento, compila toda a trajetória do paciente, garantindo um cuidado mais qualificado e seguro. Magnus critica a ideia de interoperabilidade que exige esforço adicional do profissional, como apertar botões para buscar informações. Ele vê a automação completa dos processos administrativos e financeiros como um passo crucial para a transparência e eficiência, combatendo conflitos entre prestadores e operadoras. O legado que Magnus almeja é uma “saúde sem barreiras”, onde a tecnologia elimina burocracias e filas, colocando o paciente no centro de todo o processo, não apenas para curar, mas também para prevenir doenças.
Fonte: futurodasaude.com.br

