Governo busca “convivência pacífica” com libertações
O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira (8.jan.2026) que o governo de Nicolás Maduro decidiu libertar um número significativo de opositores presos no país. Segundo Rodríguez, a medida visa promover a “união nacional e a convivência pacífica” na Venezuela.
Em pronunciamento na Assembleia Legislativa, o líder chavista, que é irmão da presidente interina Delcy Rodríguez, declarou que os processos de libertação já estão em andamento. “Considerem esse gesto do governo bolivariano de ampla intenção de busca da paz como um aporte que todos devemos fazer para conseguir que nossa República continue pacífica e em busca da prosperidade”, afirmou o deputado, sem fornecer detalhes sobre a quantidade de presos a serem soltos ou as condições de suas libertações.
Primeiras libertações sob Delcy Rodríguez
As libertações anunciadas marcam as primeiras sob a gestão de Delcy Rodríguez como presidente interina, após a captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar dos EUA no último sábado (3.jan). A eleição de Maduro em 2024 gerou uma onda de protestos que resultou na detenção de aproximadamente 2.400 pessoas, rotuladas como “terroristas” pelo ex-presidente. Deste total, mais de 2.000 já foram liberadas.
Estimativas da ONG Foro Penal indicam que ainda permanecem detidos 806 indivíduos por motivos políticos, incluindo 175 militares.
Agradecimentos e menção a Lula
Durante seu discurso, Jorge Rodríguez agradeceu o ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governo do Qatar. Ele destacou que esses atores “responderam prontamente ao apelo” da presidente interina e “sempre estiveram ao lado do povo da Venezuela para defender o direito à vida plena e à autodeterminação”.
Apesar dos agradecimentos, não ficou claro se Lula ou os demais mencionados tiveram participação ativa nas negociações para as libertações, uma vez que Rodríguez ressaltou que a decisão foi “um gesto unilateral de paz que não foi acordado com nenhuma outra parte”.
Espanha confirma soltura de cidadãos
Pouco tempo após o anúncio, o governo da Espanha confirmou a libertação de cinco cidadãos espanhóis detidos na Venezuela. “O governo espanhol expressa suas condolências a esses cidadãos, suas famílias e amigos […]. A Espanha, que mantém relações fraternas com o povo venezuelano, acolhe esta decisão como um passo positivo nesta nova fase para a Venezuela”, declarou Madri em nota oficial.




