Medidas de Estímulo e a Tentação do Consignado
Em um esforço para aquecer a economia e agradar o eleitorado, o governo Lula tem implementado uma série de medidas, como isenções de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e programas sociais. Contudo, a recente cogitação em fixar um teto para os juros do crédito consignado privado surge como uma proposta arriscada, podendo indicar um esgotamento de outras alternativas para estimular a demanda e, paradoxalmente, gerar desconfiança no mercado. A proposta, antecipada pelo jornal O Globo, visa coibir abusos nas taxas de juros, mas pode interferir na política monetária e dificultar a redução da taxa Selic.
Inadimplência em Alta e o Crescimento do Consignado Privado
O cenário econômico atual é marcado por uma inadimplência crescente, especialmente entre as famílias, que atingiu 5,24% para o crédito geral em janeiro, o maior patamar da série histórica, segundo o Banco Central. Em contrapartida, o crédito consignado privado, modalidade que já alcançou R$ 101 bilhões em benefícios a 8,5 milhões de tomadores, apresenta um crescimento expressivo, com a meta de atingir 25 milhões de trabalhadores em até quatro anos. As operações já contratadas têm valor médio de R$ 11.895,36, com parcelas mensais de R$ 245,90 e juro médio de 3,2% ao mês. No entanto, as estatísticas revelam disparidades: em janeiro, o consignado para servidores públicos era cotado a 23,7% ao ano, o de beneficiários do INSS a 24%, e o consignado privado, a alarmantes 57,4% ao ano.
Impacto na Política Monetária e o Cenário Internacional
A fixação de um teto para o crédito consignado privado, embora possa ter um alcance limitado no sistema bancário inicialmente, abre precedentes que preocupam o mercado. A possibilidade de o governo intervir em “preços” renova a inquietação sobre a adoção de medidas parafiscais para impulsionar a atividade econômica, que pode enfraquecer no segundo trimestre. Historicamente, práticas como a do BNDES em operar com juros abaixo do mercado na década de 2010, bancadas pelo Tesouro, desafiaram a política monetária e fomentaram a expansão da dívida pública, uma lembrança indesejada em um momento de cautela fiscal.
Petróleo e a Pressão sobre a Selic
O cenário inflacionário global, impulsionado pela alta do petróleo, adiciona mais uma camada de complexidade. Com o Brent em direção aos US$ 100 o barril, a commodity representa uma ameaça à inflação local, especialmente se a Petrobras decidir reajustar os preços dos combustíveis. Essa pressão inflacionária pode comprometer o esforço do Banco Central em atingir a meta de inflação e influenciar a decisão do Copom sobre a próxima taxa Selic. A expectativa de um corte de 0,50 ponto percentual pode ser reduzida para 0,25 ponto, ou até mesmo mantida, dependendo da avaliação do BC sobre o cenário internacional. A manutenção da Selic em patamares elevados pode forçar o Banco Central a justificar suas decisões ao governo e ao mercado, especialmente em um contexto de endividamento crescente entre grandes empresas.
Fonte: neofeed.com.br

