Redesenho Estratégico com Fundos Imobiliários
A São Carlos Empreendimentos está promovendo uma transformação significativa em seu modelo de negócios, saindo de uma postura de proprietária de imóveis para se consolidar como uma gestora. A estratégia central envolve a reciclagem de ativos e a criação de Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs), nos quais a empresa participa como cotista relevante, consultora imobiliária e administradora dos empreendimentos.
Essa abordagem visa evidenciar o valor intrínseco dos imóveis e estabelecer novas fontes de receita recorrente. Gustavo Mascarenhas, CEO da São Carlos, destacou em entrevista ao programa Números Falam, do NeoFeed, que este modelo permite “evidenciar o valor real dos imóveis e cria uma nova linha de receitas recorrentes para a companhia”.
Lançamento de Fundos e Venda de Ativos
A iniciativa de criação de FIIs já resultou no lançamento de dois fundos. O primeiro, inaugurado em junho de 2025, foca em ativos de conveniência e lojas de rua, reunindo 19 imóveis da Best Center, totalizando 45 mil m² de Área Bruta Locável (ABL), em parceria com a gestora TG Core Asset. O segundo FII foi concretizado no final de novembro do ano passado, com a venda de oito imóveis por R$ 837 milhões para o fundo SC JiveMauá. Ao todo, a São Carlos já negociou quase R$ 1,2 bilhão em ativos com essas duas gestoras.
Sinais de Recuperação Operacional
A transição para um modelo mais leve em ativos (asset light) marca uma virada operacional para a companhia, após um período desafiador com alta vacância, juros elevados e desvalorização das ações do setor imobiliário na B3. No terceiro trimestre de 2025, a São Carlos registrou um Ebitda recorrente de R$ 25,6 milhões, um aumento de 30,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse crescimento é atribuído ao aumento da ocupação dos imóveis e a um rigoroso controle de custos.
“O crescimento reflete uma combinação de aumento de ocupação e eficiência operacional”, afirmou o CEO.
Desempenho e Perspectivas
Com um portfólio concentrado em prédios corporativos em São Paulo e no Rio de Janeiro, a São Carlos opera com uma taxa de vacância em torno de 10%, consideravelmente inferior à média do mercado, que gira em torno de 20%. A estratégia de Flex Office, que adapta espaços sob medida para os locatários, tem sido fundamental para acelerar a absorção líquida, que atingiu cerca de 7 mil m² nos últimos 12 meses.
Um marco importante do trimestre foi a geração de caixa. A São Carlos reportou um FFO (Fluxo de Caixa das Operações Principais) positivo de R$ 900 mil no período, o primeiro resultado nessa linha desde o quarto trimestre de 2022. Embora o valor ainda seja modesto, simboliza a combinação de melhora operacional e reestruturação financeira, impulsionada pela venda de ativos e pelo pré-pagamento de dívidas mais onerosas. “É um ponto de inflexão. Mostra que a companhia voltou a gerar caixa operacional”, concluiu Mascarenhas.
Apesar dos sinais positivos, a ação SCAR3 acumulava uma queda de 14,4% em 12 meses, até 20 de janeiro deste ano, com um valor de mercado de R$ 783,5 milhões.
Fonte: neofeed.com.br




