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Pesquisadora da UFRJ anuncia correções em artigo sobre polilaminina após divulgação de dados preliminares

Erros em pré-print sobre polilaminina serão corrigidos

A pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), anunciou que corrigirá o artigo científico referente aos primeiros testes em humanos com polilaminina, uma substância investigada para o tratamento de lesões na medula espinhal. A declaração foi feita em entrevista ao G1 neste sábado (7 de março de 2026). O estudo em questão foi divulgado em fevereiro de 2024 como pré-print, uma versão preliminar que ainda não passou por revisão por pares.

Polilaminina: esperança para regeneração nervosa

A polilaminina é uma proteína sintética derivada da laminina, uma molécula naturalmente presente nos tecidos do corpo humano e fundamental para o suporte celular. A hipótese terapêutica sugere que a aplicação da polilaminina na medula lesionada pode estimular a regeneração de conexões nervosas. A pesquisa, desenvolvida na UFRJ ao longo de aproximadamente duas décadas, iniciou testes em oito pacientes humanos em 2018.

Apresentação de dados e rejeição por periódicos

Sampaio admitiu que o pré-print original continha falhas na redação e na apresentação dos dados. Um dos erros destacados foi um gráfico que, indevidamente, indicava o acompanhamento de um paciente por cerca de 400 dias, quando na verdade ele faleceu cinco dias após o procedimento. A pesquisadora classificou o equívoco como um “erro de digitação”. A primeira versão corrigida do artigo foi submetida a periódicos científicos renomados, como a Springer Nature e o Journal of Neurosurgery, mas foi rejeitada. Atualmente, Sampaio está preparando uma nova versão do texto, que só será divulgada publicamente após a aceitação por uma revista científica.

Entenda o mecanismo de ação da polilaminina

Em termos mais simples, a laminina desempenha um papel crucial na organização e no crescimento de tecidos neuronais, especialmente dos axônios. Estes funcionam como “pontes biológicas” que permitem a comunicação entre neurônios ou entre neurônios e músculos, transmitindo impulsos elétricos. Em casos de lesão medular, essa transmissão é interrompida. A polilaminina, ao ser injetada na área da lesão, teria o potencial de recriar essas pontes, restabelecendo a comunicação neural e, consequentemente, o fluxo de impulsos elétricos responsáveis por movimentos, sensações e transmissão de informações como dor e temperatura.

Status regulatório e acesso ao tratamento

O medicamento ainda não possui registro e encontra-se na fase 1 de estudos clínicos, tendo recebido liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 5 de janeiro. Pacientes que buscam acesso ao tratamento têm recorrido à Justiça. A pesquisadora ganhou notoriedade no início de 2026 ao participar de entrevistas ao lado de Bruno Drummond, um dos participantes do estudo que recuperou a mobilidade após uma grave lesão na medula cervical. O estudo preliminar analisou oito pacientes: quatro apresentaram melhora parcial, três faleceram e um, Drummond, obteve melhora total.

Fonte: www.poder360.com.br

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