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Paquistão declara ‘guerra aberta’ ao Afeganistão após meses de tensão e bombardeios na fronteira

Escalada de Conflito na Fronteira

O governo do Paquistão declarou formalmente uma “guerra aberta” contra o Afeganistão na noite de quinta-feira (26). A declaração, feita pelo ministro da Defesa, Khawaja Asif, em suas redes sociais, veio após meses de crescente tensão entre os dois países vizinhos. Segundo Asif, a “paciência” paquistanesa “chegou ao limite”, culminando em bombardeios contra cidades afegãs, incluindo a capital Cabul e as províncias de Kandahar e Paktika. A ação foi justificada como resposta a supostas agressões do exército afegão contra tropas paquistanesas, que, por sua vez, foram uma retaliação a ataques aéreos anteriores realizados pelo Paquistão.

Acusações e Fechamento de Fronteiras

O cerne da discórdia reside nas acusações do Paquistão de que o Afeganistão, sob o regime do Talibã, estaria abrigando o grupo extremista Talibã Paquistanês (TTP). As autoridades afegãs negam veementemente tais alegações. A escalada de violência já havia resultado em um confronto em outubro, que deixou mais de 70 mortos e levou ao fechamento de importantes passagens fronteiriças entre as duas nações. A recente incursão militar paquistanesa representa uma significativa deterioração nas relações bilaterais.

Histórico de Relações Complexas

A relação entre Paquistão e o Talibã afegão é historicamente complexa. O Paquistão desempenhou um papel crucial no estabelecimento do regime fundamentalista no início dos anos 1990, uma ação com objetivos estratégicos voltados para conter a rival Índia. Mesmo após o retorno do Talibã ao poder em 2021, o então primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, saudou o grupo. No entanto, a aproximação diplomática entre o Afeganistão e a Índia, vista com desconfiança por Islamabad, tem sido um dos fatores que têm estremecido a relação, segundo Rodrigo Medina, chefe do Departamento de Relações Internacionais da Unifesp.

Perspectivas Futuras do Conflito

Apesar da declaração de “guerra aberta”, o especialista Rodrigo Medina avalia que o confronto entre Afeganistão e Paquistão não deve ser duradouro, dada a acentuada “assimetria de poder” entre os dois países. O Paquistão conta com um contingente militar significativamente maior, estimado em cerca de 600 mil soldados, em comparação com os aproximadamente 170 mil do Talibã. Além disso, o Paquistão possui um arsenal robusto, incluindo milhares de veículos blindados e centenas de aeronaves, e é uma potência nuclear com um programa militar ativo. Essa disparidade de forças militares sugere que um conflito prolongado pode ser inviável para o lado afegão.

Fonte: jovempan.com.br

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