Um Olhar Crítico sobre a Cidade Partida
Um novo livro lança luz sobre as profundas desigualdades sociais e raciais do Rio de Janeiro, utilizando o trajeto do ônibus 474 como fio condutor. O autor se propõe a apresentar a cidade sob a perspectiva daqueles que, muitas vezes, são invisibilizados, reconhecendo os marcantes contrastes sociorraciais presentes na metrópole. A linha 474, apelidada de “linha do terror” por parte dos usuários, emerge como um símbolo da “cidade partida”, expondo a dicotomia entre áreas ricas e pobres.
Do Cotidiano à “Arruaça”: A Dinâmica da Linha 474
As páginas da obra incluem mapas detalhados do percurso do ônibus e mergulham em uma série de ocorrências, desde problemas como arrombamentos, calotes e depredações, até constrangimentos a motoristas, “surf” nos telhados dos veículos, assaltos e arrastões. Contudo, o livro também retrata momentos de solidariedade entre passageiros e a alegria de famílias em direção à praia. Em entrevista, o autor explica que a dinâmica da linha se altera drasticamente ao longo da semana. Enquanto os dias úteis são marcados pela rotina de trabalho, os fins de semana transformam o coletivo em um palco de “arruaça”, com a linha ganhando manchetes devido à sua associação com a desordem urbana.
Um “Suco de Rio de Janeiro” Reconhecido Internacionalmente
Descrita pelo autor como um “suco de Rio de Janeiro”, expressão carioca que denota a captura da essência da cidade, a obra busca evitar tanto a estigmatização dos passageiros da Zona Norte quanto a idealização dos moradores da Zona Sul. A pesquisa que deu origem ao livro foi desenvolvida como mestrado do autor na Universidade do Porto, em Portugal, onde foi agraciada com o prêmio Viana de Lima. Atualmente, o arquiteto aprofunda seus estudos em um doutorado conjunto entre a Universidade do Porto e a Southern Methodist University, no Texas, EUA.
Fonte: www.poder360.com.br




