Editorial aponta “ilegalidade” e “imprudência” em operação que capturou Maduro
Em um editorial contundente, o jornal New York Times (NYT) classificou a recente operação militar liderada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Venezuela como “ilegal”, “imprudente” e “não inteligente”. A publicação, direcionada a assinantes, questiona a falta de “explicações coerentes” para a invasão com o objetivo de capturar o presidente Nicolás Maduro e critica a ação como um “aventureirismo militar” fundamentado em alegações “ridículas” de combate ao “narcoterrorismo”.
Justificativas de Trump sob escrutínio do NYT
O editorial do NYT argumenta que a Venezuela não é um produtor relevante de drogas como o fentanil, principal responsável pela crise de overdoses nos EUA, e que a cocaína produzida no país tem como destino primário a Europa. O jornal também destacou a aparente contradição de Trump em atacar a Venezuela enquanto perdoava Juan Orlando Hernández, ex-presidente de Honduras acusado de envolvimento com tráfico de drogas. A publicação sugere que a ação venezuelana é parte de um plano maior de Trump para reafirmar a influência dos EUA na América Latina, rotulando o país como o primeiro a ser submetido a um “imperialismo moderno”.
Violação da Constituição e riscos de “imperialismo moderno”
Segundo o NYT, a operação militar viola a Constituição dos EUA, que exige aprovação do Congresso para atos de guerra. O jornal ressalta a importância do debate democrático no Congresso para conter “aventureirismo militar”, obrigando o presidente a justificar suas ações publicamente. O editorial alerta que a postura de Trump pode fornecer justificativas para autoritários na China, Rússia e outros países que buscam dominar seus vizinhos, além de arriscar repetir a “arrogância norte-americana” que levou à invasão do Iraque em 2003. A conclusão do texto é que a “beligerância de Trump viola a lei” e pode resultar em maior sofrimento para os venezuelanos, instabilidade regional e danos duradouros aos interesses dos EUA.
A Operação e o Comando Temporário dos EUA
A ação militar, anunciada por Trump em sua rede social Truth Social, resultou na captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. O general Dan Caine confirmou a ordem de captura e detalhou ataques a 4 alvos com 150 caças e bombardeios. A operação, que envolveu helicópteros militares transportando tropas para Caracas, durou cerca de duas horas e 20 minutos. Questionamentos sobre a legalidade da operação sem aprovação da ONU e do Congresso dos EUA foram levantados. Trump declarou que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração do país, mas a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, contestou a declaração, afirmando que Maduro é o presidente legítimo e que a Venezuela não será colônia de nenhum país.




