O mito da paralisação pós-Carnaval
A crença de que o mercado de trabalho entra em ‘modo de espera’ após o Carnaval é uma percepção equivocada, influenciada pelo senso comum. Segundo Marcelo Treff, professor de Gestão de Pessoas da FECAP, a baixa densidade competitiva pode ser uma vantagem para candidatos que não adotam a postura passiva de aguardar o fim das festividades. Leyla Nascimento, presidente da ABRH, reforça que o mercado não para e que a abertura de vagas está atrelada ao planejamento estratégico e orçamentário das empresas, que muitas vezes se inicia em janeiro.
Setores que aceleram e o planejamento estratégico
Contrariando a ideia de estagnação, setores como turismo, varejo, logística e eventos frequentemente intensificam as contratações no período. Além disso, muitas organizações precisam cumprir metas trimestrais agressivas e operam com orçamentos anuais que entram em vigor no início do ano. “Ninguém faz um planejamento e um orçamento no ano anterior sem iniciar em janeiro”, explica Nascimento, ressaltando a importância de o candidato não adiar sua busca.
Estratégias de reposicionamento e seleção
Enquanto os processos seletivos podem parecer mais lentos, especialistas sugerem que os candidatos aproveitem o período para aprimorar suas qualificações. Isso inclui a realização de cursos online, a atualização do currículo e do perfil no LinkedIn, a participação em grupos de networking e a pesquisa aprofundada sobre empresas de interesse. Para se destacar, a adaptação contínua é uma habilidade chave. Profissionais desempregados são incentivados a encarar a busca como um projeto, atualizando-se em IA e competências digitais, e utilizando palavras-chave contextuais no LinkedIn. Já os empregados devem ficar atentos à estagnação do aprendizado como um sinal para mudança, valorizando sua reputação e rede de contatos.
O novo padrão de seleção e a importância das soft skills
O processo seletivo moderno exige personalização máxima, substituição de listas de tarefas por conquistas mensuráveis e domínio de ferramentas tecnológicas. A fluidez tecnológica é crucial, pois falhas podem transmitir obsolescência. Em relação à escolha entre CLT e PJ, é fundamental considerar que o faturamento PJ deve ser significativamente maior para compensar a ausência de benefícios. Além disso, as habilidades humanas, como empatia, ética, raciocínio crítico e equilíbrio emocional, ganham destaque em um mundo cada vez mais automatizado. O futuro do trabalho, segundo Treff, será definido mais por ecossistemas de competências e capacidade de adaptação do que por cargos e salários tradicionais.
Fonte: viva.com.br




