O Cenário Atual: Progresso Lento na Invenção
A Europa conta com um número crescente de mulheres cientistas e engenheiras, mas a sua representação como inventoras em patentes ainda é significativamente baixa. Em 2022, apenas 13,8% dos inventores europeus eram mulheres, um número que, embora em ascensão desde os anos 70, tem demonstrado estagnação nos últimos anos. Roberta Romano-Götsch, diretora de sustentabilidade do Instituto Europeu de Patentes (EPO), lamenta que o ritmo de mudança seja “muito lento e longe de ser equilibrado”, apontando que as desigualdades de género permeiam todo o sistema de inovação.
Pioneiras e Avanços Notáveis em Saúde
Apesar da sub-representação em patentes, a lista de mulheres cientistas europeias com contribuições significativas é extensa, especialmente nas áreas da medicina e biotecnologia. Nomes como Rochelle Niemeijer, criadora de um kit de diagnóstico portátil baseado em inteligência artificial para infeções bacterianas, e Laura van’t Veer, pioneira em testes genéticos para cancro da mama, demonstram o impacto feminino. A laureada com o Prémio Nobel Katalin Karikó, por sua vez, revolucionou a medicina com suas pesquisas em mRNA, abrindo caminho para vacinas contra a COVID-19 e novas terapias.
A “Pipeline com Fugas” e o “Efeito Matilda”
O relatório do EPO destaca o fenômeno da “pipeline com fugas”, onde a participação feminina é alta na educação inicial, mas diminui drasticamente nas etapas de transição de carreira, resultando em sub-representação em cargos de liderança. Além disso, o “efeito Matilda”, termo que descreve a negação e subvalorização sistemática das contribuições científicas femininas, continua a ser um obstáculo. Romano-Götsch relata que, frequentemente, o trabalho de mulheres é subestimado ou atribuído a colegas, com seus nomes omitidos em patentes ou publicações científicas, mesmo quando são as principais responsáveis pelo avanço.
O Potencial e a Necessidade de Equidade
A investigação realizada por mulheres, particularmente em áreas como endometriose e saúde menstrual, aborda lacunas importantes que historicamente foram negligenciadas. O EPO enfatiza que o potencial inventivo das mulheres é comparável ao dos homens, e que as disparidades em patentes não se devem a diferenças de capacidade. Reduzir estas barreiras não é apenas uma questão de igualdade, mas também de competitividade, pois permitiria aceder a um leque mais amplo de talentos, fortalecer equipas e impulsionar a inovação em toda a Europa. As ciências da vida, incluindo farmacêutica e biotecnologia, já registam uma participação feminina superior a 30%, a maior entre as áreas de investigação e desenvolvimento.
Fonte: pt.euronews.com




