Repressão Severa Deixa Milhares de Mortos e Presos
A onda de protestos que assola o Irã há mais de 20 dias já teria resultado na morte de ao menos 5.000 pessoas, segundo informações obtidas pela agência Reuters com um integrante do governo iraniano. As manifestações, que iniciaram em 28 de dezembro de 2025, ganharam força a partir de críticas à crise econômica e ao alto custo de vida, evoluindo para um clamor direto pelo fim do regime dos aiatolás, que governa o país desde 1979.
As cifras oficiais do governo iraniano ainda não foram confirmadas. Organizações independentes de direitos humanos apresentam números divergentes: a HRANA (Human Rights Activist News Agency) reportou 3.308 mortos e mais de 4.300 casos em análise, além de cerca de 24.000 prisões. Já a Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, estima 3.428 manifestantes mortos pelas forças de segurança. O canal oposicionista Iran International, citando fontes governamentais e de segurança, sugere que o número de mortos pode chegar a 12.000.
Khamenei Justifica Violência e Culpa os EUA
Em discurso no último sábado (17 de janeiro), o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, reiterou sua posição dura contra os manifestantes, afirmando que as autoridades têm o dever de “quebrar as costas dos insurgentes”. Khamenei responsabilizou diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas mortes e danos ocorridos, classificando os protestos como parte de uma “conspiração americana” para desestabilizar o país. Ele também rebateu as ameaças de Trump de atacar o Irã caso manifestantes presos sejam executados.
De acordo com a Reuters, aproximadamente 500 das vítimas seriam integrantes das forças de segurança. O governo iraniano alega que mortes de civis e agentes ocorreram em confrontos provocados pelos manifestantes e acusa os Estados Unidos, Israel e grupos armados estrangeiros de apoiarem os atos.
Restrições à Internet Dificultam Verificação
Desde 8 de janeiro, o governo iraniano implementou severas restrições ao acesso à internet no país. A ONG Netblocks registrou uma leve retomada da conectividade, mas que ainda se mantém em cerca de 2% dos níveis normais. Essa limitação na comunicação dificulta a verificação independente de dados sobre mortos e presos. Relatos de iranianos no exterior indicam que a comunicação com familiares é fragmentada e esporádica, devido ao alto custo e ao receio de vigilância estatal.
O procurador de Teerã, Ali Salehi, declarou à TV estatal que a resposta governamental aos protestos foi “firme, dissuasora e rápida”. A repressão, segundo relatos de manifestantes, tem envolvido o uso de armas de fogo e gás lacrimogêneo por policiais e militares.
Origens e Evolução dos Protestos
Os protestos tiveram seu estopim na crise econômica, marcada pela desvalorização da moeda, inflação de 42,2% (em dezembro de 2025) e aumento expressivo nos preços de bens essenciais. Inicialmente, comerciantes e trabalhadores saíram às ruas em busca de alívio econômico. Contudo, a insatisfação cresceu, atraindo mais pessoas que passaram a exigir reformas políticas e judiciárias, maior liberdade e a crítica direta ao governo do aiatolá Ali Khamenei.
Fonte: www.poder360.com.br




