Retorno ao palco panamenho após mais de uma década
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retorna ao Panamá nesta quarta-feira, marcando sua primeira visita oficial ao país centro-americano em 15 anos. A última vez que Lula esteve no Panamá foi em maio de 2011, já como ex-presidente, para a inauguração da Cinta Costera, uma obra da construtora brasileira Odebrecht. A agenda atual de Lula inclui a participação como convidado de honra na segunda edição do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, apelidado de “Davos latino-americano”. O evento reunirá oito governantes da região com o objetivo de discutir o posicionamento do continente no cenário global.
O Canal do Panamá e a busca por soberania
A visita de Lula ocorre em um momento delicado para o Panamá, que busca fortalecer seu apoio internacional em relação à soberania do Canal interoceânico. O analista panamenho Rodrigo Noriega interpreta a presença do presidente brasileiro como um sinal de aproximação da gestão do atual mandatário panamenho, José Raúl Mulino, ao “apadrinhamento brasileiro”. Essa aproximação visa obter respaldo internacional em meio a tensões com os Estados Unidos, especialmente após declarações de Donald Trump sobre a possibilidade de “recuperar” a via. O Brasil, por sua vez, aderiu ao Tratado de Neutralidade do Canal em agosto passado, um movimento que reforça a posição panamenha de não se envolver em disputas geopolíticas entre Washington e Pequim.
O fantasma da Odebrecht assombra a visita
Um dos pano de fundo mais significativos desta visita é o julgamento do escândalo de subornos da empreiteira brasileira Odebrecht no Panamá. O processo, que envolve cerca de 20 réus, incluindo o ex-presidente Martinelli e ex-ministros, teve início em 12 de janeiro, após adiamentos desde 2023. Segundo o analista Noriega, a coincidência entre a visita de Lula e o julgamento da Odebrecht aponta para a “impunidade da classe política latino-americana”. Ele também criticou a suposta falta de cooperação do governo Lula com a Justiça panamenha na notificação de testemunhas-chave, sugerindo que “ao líder brasileiro não interessa que haja justiça nem no Brasil, nem no Panamá”. A Odebrecht teria pago mais de US$ 80 milhões em subornos no país, conforme confissões de André Rabello, ex-dirigente da empresa no Panamá.
Acordo comercial para impulsionar as relações bilaterais
Apesar das complexidades políticas e judiciais, a visita de Lula também tem um foco econômico. Brasil e Panamá assinarão um “acordo de cooperação e facilitação de investimentos” com o objetivo de fomentar o fluxo de capitais em ambas as direções. A secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Gisela Padovan, destacou o “muito dinamismo” da relação bilateral, ressaltando que Lula e Mulino já se reuniram cinco vezes desde 2024 e que o intercâmbio comercial entre os países cresceu 78% no último ano.
Fonte: jovempan.com.br




