Aumento de 60% no Combustível de Aviação Impacta Companhias Aéreas Americanas
A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, culminando no fechamento do estratégico Estreito de Ormuz, gerou um impacto financeiro significativo no setor aéreo global. As quatro maiores companhias aéreas americanas – American Airlines, United, Delta e Southwest – preveem um aumento de custos de aproximadamente US$ 11 bilhões (cerca de R$ 57 bilhões) em 2026, impulsionado pela alta vertiginosa no preço do combustível de aviação. Desde o fechamento do estreito, o valor do querosene de aviação nos Estados Unidos já registrou uma elevação de quase 60%, atingindo picos de US$ 3,95 por galão.
Previsão do Governo Americano Aponta para Combustível Mais Caro
Embora o preço tenha recuado para US$ 3,40 por galão, o governo dos Estados Unidos revisou para cima sua projeção oficial para o preço médio do combustível de aviação em 2026, estabelecendo-o em US$ 2,67 por galão. Este valor representa um aumento de 37% em relação às estimativas anteriores, sinalizando um cenário de custos elevados persistente para as empresas do setor. Historicamente, o combustível representa cerca de 25% das despesas operacionais das companhias aéreas, tornando-as particularmente vulneráveis a flutuações de preço.
Impacto Direto nos Resultados e Possíveis Aumentos nas Passagens
A American Airlines já alertou que um aumento de apenas um centavo por galão no preço do combustível pode resultar em despesas anuais adicionais de US$ 50 milhões. Em 2026, considerando o nível atual de consumo, isso se traduz em custos extras superiores a US$ 1 bilhão por trimestre para a companhia. Scott Kirby, CEO da United Airlines, também manifestou preocupação, indicando que os aumentos no custo do combustível terão um “efeito significativo” nos resultados do primeiro trimestre e que o impacto nos preços das passagens aéreas “provavelmente começaria rapidamente”.
Companhias de Baixo Custo e Estratégias de Hedge em Destaque
Empresas aéreas de baixo custo, como Frontier e Spirit, são consideradas mais vulneráveis a esses aumentos, pois atendem a um público mais sensível a preços. Em contrapartida, muitas companhias aéreas europeias adotaram estratégias de hedge (proteção financeira) para mitigar os riscos de volatilidade nos preços do combustível. No entanto, grandes aéreas americanas, como American Airlines, Delta e United, abandonaram essa prática há cerca de uma década, argumentando que os custos de longo prazo superavam os benefícios em cenários de aumento súbito de preços. A falta de proteção cambial torna essas empresas mais expostas a choques de curto prazo no mercado de combustíveis.
Fonte: neofeed.com.br

