A Realidade da IA na Aviação: Nem Toda Automação Compensa
A inteligência artificial (IA) é frequentemente apresentada como sinônimo de eficiência e redução de custos no mundo corporativo. No entanto, a experiência da Gol Linhas Aéreas com a tecnologia demonstra que essa premissa nem sempre se aplica na prática. Em alguns cenários, a implementação de IA pode se tornar mais onerosa do que a manutenção de equipes humanas, levando a companhia a ponderar cuidadosamente onde a tecnologia realmente agrega valor.
Critérios Rigorosos para Adoção de IA na Gol
Luiz Borrego, CIO da Gol, destacou em entrevista ao programa Revolução IA que a empresa adota uma postura pragmática e conservadora na adoção de novas tecnologias. Para que um projeto de IA avance, ele precisa atender a critérios essenciais: gerar um ganho de eficiência com resultados superiores aos métodos anteriores, ser economicamente viável e aprimorar significativamente a experiência do cliente. Qualquer iniciativa que não cumpra esses requisitos é reavaliada.
Aplicações de Sucesso e Falhas Emblemáticas
Atualmente, a Gol já utiliza com sucesso algoritmos e modelos de machine learning em áreas críticas como a precificação dinâmica de passagens, o planejamento da malha aérea, a alocação de pessoal em aeroportos e a otimização de rotas, com impacto direto no consumo de combustível e na pontualidade dos voos. Contudo, nem todas as experimentações foram positivas. Um dos exemplos mais notórios foi a tentativa de automação do atendimento ao cliente. Embora tecnicamente funcional em alguns casos, o custo da solução de IA superou o de manter atendentes humanos, tornando a opção menos vantajosa economicamente. Em outras tentativas, a precisão das respostas e a qualidade da experiência oferecida aos passageiros não alcançaram os padrões esperados, levando Borrego a afirmar: “Se é o cliente que vai usar, ele precisa estar mais satisfeito do que com o serviço anterior. Senão, não funciona.”
Laboratório Interno: Um Espaço para Experimentação Segura
Para gerenciar esse processo de tentativa e erro, a Gol estabeleceu um laboratório interno. Este ambiente controlado permite a experimentação de projetos de IA sem comprometer a operação principal da companhia, um fator crucial em um setor altamente regulamentado e com margens operacionais apertadas como o aéreo. O executivo ressalta que o maior risco não é falhar em testes de IA, mas sim ignorar a evolução tecnológica. “O pior que pode acontecer é alguém criar uma vantagem competitiva relevante e você demorar a reagir”, concluiu Borrego.
Fonte: neofeed.com.br




