Gleisi Hoffmann classifica investigação do Banco Master como “abacaxi”
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), declarou nesta terça-feira (3) que o caso do Banco Master, investigado por um rombo bilionário, é um “abacaxi” que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “está descascando”. A declaração foi feita em resposta a questionamentos sobre a ausência de comunicação do então diretor do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao então presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, sobre uma reunião com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o próprio Lula em dezembro de 2024.
Reunião no Planalto e autonomia de diretores do BC
Segundo Gleisi, não há constrangimento no governo em relação ao encontro. Ela ressaltou que o caso envolve fiscalização do Banco Central e apuração da Polícia Federal, e que Vorcaro foi preso durante a gestão do atual governo. “É um abacaxi que nós estamos descascando e não temos problema nenhum em relação a ele. O governo está tendo uma posição firme e decidida”, afirmou a ministra. O Banco Central informou que diretores da instituição possuem autonomia e não precisam comunicar todos os seus compromissos ao presidente do órgão, o que significa que Galípolo não infringiu normas ao manter a reunião em sigilo.
Rumores de liquidez e minimização das reuniões
Apesar de rumores sobre problemas de liquidez do Banco Master já circularem no mercado em dezembro de 2024, com o banco oferecendo CDBs com rendimento atípico de 140% do CDI, Galípolo não comunicou Campos Neto sobre a reunião no Planalto. A ministra Gleisi Hoffmann, em declarações anteriores, minimizou as reuniões entre Lula e Vorcaro, afirmando que o presidente “recebe muita gente” e já se encontrou com outros donos de bancos e representantes do mercado financeiro. Registros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) indicam que Vorcaro esteve no Planalto ao menos quatro vezes entre 2023 e 2024.
Posição de Rui Costa e sigilo das investigações
Em linha semelhante, o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), classificou o encontro entre Vorcaro e Lula como “institucional”, argumentando que o presidente precisa ouvir representantes de diversos segmentos. Até o momento, não há detalhes sobre o conteúdo da reunião de dezembro de 2024 nem sobre o motivo das outras visitas de Vorcaro ao Planalto. Vorcaro foi preso em novembro de 2025, solto após 11 dias, teve o passaporte apreendido e usa tornozeleira eletrônica. O inquérito sobre o caso é conduzido pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.
Caminhos da CPI do Banco Master
Gleisi Hoffmann reiterou que o governo federal não tomará uma posição institucional sobre a instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) ou Mistas de Inquérito (CPMIs) para investigar o Banco Master, deixando a decisão a cargo do Legislativo. Apesar do apoio de parlamentares do PT a requerimentos em tramitação, a instalação das comissões enfrenta resistência, com o Centrão buscando adiar a investigação para evitar a exposição de relações políticas de Daniel Vorcaro. Nomes como o senador Ciro Nogueira (PP) e Antônio Rueda (União Brasil) são mencionados em articulações relacionadas ao banco.
Fonte: www.poder360.com.br




