Fidelidade a Maduro e falta de mudança real
James Story, ex-embaixador dos Estados Unidos em Caracas, expressou ceticismo quanto à ascensão de Delcy Rodríguez à presidência da Venezuela, afirmando que ela é fiel a Nicolás Maduro e não representa uma mudança de regime. A declaração surge após a captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar norte-americana. Story questiona a legitimidade da sucessão, argumentando que se Maduro era considerado ilegítimo, sua vice também o seria.
“Delcy Rodríguez nunca havia ocupado um cargo de liderança de alto nível no governo venezuelano até a chegada de Maduro. Ela se tornou chanceler, depois ministra do Petróleo e vice-presidente”, lembrou Story, destacando a trajetória de Rodríguez sob o governo Maduro. O ex-embaixador manifestou preocupação com a ausência de uma verdadeira mudança de regime, vendo a situação como uma mera substituição de figuras dentro do mesmo grupo político. Ele também levantou dúvidas sobre a atratividade da Venezuela para investimentos empresariais caso a independência do Judiciário não seja restaurada.
Oportunidade de retorno para exilados e relação Brasil-EUA
Story vê a queda de Maduro como uma potencial oportunidade para que venezuelanos que deixaram o país possam retornar. Em relação à postura do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou a ação militar dos EUA, o ex-embaixador afirmou compreender as preocupações com a soberania e a extraterritorialidade. No entanto, ele acredita que uma eventual restauração democrática na Venezuela poderia ter um impacto positivo significativo na região, ao permitir o retorno dos exilados.
A operação militar e o comando interino
A ofensiva militar dos EUA foi anunciada por Donald Trump, que declarou que o país assumiria temporariamente a administração venezuelana até a definição de uma transição política. A operação, que incluiu ataques a alvos militares venezuelanos, levantou questões sobre a legalidade internacional e a necessidade de aprovação prévia do Congresso americano. Relatos sobre baixas civis e militares ainda são incertos.
A Constituição venezuelana prevê que o poder seja exercido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez. Contudo, Trump indicou que Rodríguez teria manifestado disposição para cooperar com as ações lideradas pelos EUA. Por outro lado, Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificando a ação como uma violação da soberania e reafirmando Maduro como presidente legítimo, ao mesmo tempo em que declarou a Venezuela aberta a relações respeitosas baseadas no direito internacional, rejeitando ser uma colônia.




