Formação Médica em Xeque
O Conselho Federal de Medicina (CFM) manifestou nesta semana um forte alerta sobre a qualidade da formação médica no Brasil, após a divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025. Dos 39.256 concluintes que realizaram a prova, impressionantes 13.871 provêm de instituições de ensino com conceitos 1 e 2, notas consideradas abaixo do mínimo aceitável pelo próprio Ministério da Educação (MEC).
O presidente do CFM, José Hiran Gallo, classificou os números como um “alerta inequívoco” sobre a formação médica no país. Segundo ele, o Enamed cumpre seu papel ao expor a má qualidade do ensino, frequentemente associada à abertura desqualificada de novas escolas médicas autorizadas pelo MEC. “É responsabilidade dos Conselhos de Medicina fiscalizar a atividade médica no Brasil e isso precisa ocorrer desde a concessão do registro, pois temos que garantir que apenas profissionais capacitados se tornem médicos – fato que hoje, infelizmente, não é possível garantir”, afirmou Gallo.
Profimed: A Proposta para um Padrão Mínimo de Qualidade
Diante deste cenário, o CFM reforça a necessidade da aprovação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), que atualmente tramita no Senado Federal. Conhecido como “OAB dos Médicos”, o projeto visa tornar obrigatória a aprovação no exame para a concessão do registro profissional aos novos médicos. Gallo defende que todos os cursos de medicina no país deveriam ter, no mínimo, nota 4, indicando que pelo menos 75% dos alunos obtiveram bom desempenho.
“O Profimed é absolutamente necessário para assegurar que apenas profissionais com conhecimentos teóricos, habilidades clínicas e parâmetros éticos para o atendimento médico recebam o registro e exerçam a medicina. Essa condição não é garantida pelo Enamed/MEC, que avalia a qualidade do ensino, mas, permite que um profissional mal formado atenda a população brasileira”, alertou o presidente do CFM.
Inep Garante Correção dos Dados, Mas Críticas Persistem
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) assegurou que os dados divulgados pelo Enamed estão corretos e que não há fragilização nos resultados. No total, 107 cursos foram classificados com conceito 1 ou 2. O presidente do Inep, Manuel Palácios, explicou que sanções às instituições não são imediatas, pois envolvem um processo de manifestação e supervisão.
Apesar da posição do Inep, entidades como a Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) tentaram, sem sucesso, impedir a divulgação dos resultados. Outras associações, como a Associação Paulista de Medicina (APM), criticam o Enamed por avaliar cursos e não profissionais. “O Enamed não pode ser confundido como solução para os graves problemas da formação médica no País. Embora seja um instrumento de avaliação importante, ele não protege a sociedade”, declarou o presidente da APM, Antonio José Gonçalves. Ele defende o Profimed como um instrumento de responsabilidade social, capaz de impedir que profissionais despreparados ingressem no mercado de trabalho, protegendo a sociedade que, segundo ele, “paga o preço mais alto” pela formação inadequada de médicos.
Fonte: viva.com.br




