Drones FPV Levam Espectadores para Dentro das Pistas nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026
Tecnologia de visão em primeira pessoa, operada com óculos de realidade virtual, revoluciona a cobertura esportiva com imagens imersivas e de alta velocidade.
Os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, sediados em Milão e Cortina d’Ampezzo, na Itália, estão proporcionando uma experiência sem precedentes aos telespectadores, colocando-os literalmente “dentro da pista” das competições. A grande novidade desta edição é a estreia em larga escala dos drones de “visão em primeira pessoa” (FPV, na sigla em inglês).
O que são os Drones FPV e como funcionam?
Diferentemente dos drones tradicionais utilizados em transmissões há mais de uma década, os drones FPV são pilotados por operadores equipados com óculos de realidade virtual e um controle remoto. Essa configuração permite que o piloto veja em tempo real o que a câmera do drone está capturando, oferecendo uma perspectiva extremamente imersiva. Avaliados em cerca de US$ 150 mil cada, esses drones são capazes de atingir velocidades de até 177 quilômetros por hora, capturando manobras, saltos e descidas em curvas fechadas com uma proximidade impressionante dos atletas.
Uma Nova Dimensão para a Cobertura Esportiva
A integração desses drones na cobertura olímpica visa contar as histórias dos atletas de forma mais envolvente e eficiente. Yiannis Exarchos, CEO da Olympic Broadcasting Services (OBS), destaca que, embora a tecnologia ofereça novas oportunidades, o foco principal continua sendo a narrativa dos esportistas. “Os Jogos Olímpicos não são uma exibição de tecnologia. Trata-se de encontrar maneiras mais envolventes de contar histórias dos maiores atletas do mundo”, afirma Exarchos. Dos 25 drones em uso, 15 são do tipo FPV e estão sendo empregados em esportes ao ar livre e em algumas modalidades indoor, como a patinação de velocidade, abrindo ângulos de filmagem que antes eram impossíveis.
Segurança e Colaboração: Pilares da Inovação
A implementação bem-sucedida dos drones FPV exigiu um rigoroso processo de treinamento para os operadores e uma colaboração estreita com os atletas. A segurança foi a principal preocupação, com a realização de testes extensivos em conjunto com as Federações Internacionais e a apresentação da tecnologia a todos os esportistas. Atletas como o tricampeão olímpico de luge, Felix Loch, demonstraram receptividade à inovação, elogiando a qualidade e a originalidade das imagens. Essa aproximação foi crucial, especialmente considerando que o uso de drones em competições de esqui foi proibido pela Federação Internacional de Esqui após um incidente em 2015, quando um drone caiu na pista durante uma prova.
O Futuro da Transmissão Esportiva
Os drones FPV se mostram particularmente úteis em esportes que utilizam pistas de deslizamento, como luge, bobsled e skeleton, pois eliminam a necessidade de instalar câmeras em cada curva. Profissionais como Florian Blang, piloto de drones com vasta experiência em campeonatos mundiais de mountain bike e esqui, são fundamentais nesse processo. Blang descreve a complexidade de pilotar esses drones em alta velocidade, onde decisões precisam ser tomadas em frações de segundo para garantir a segurança, tanto dos atletas quanto da própria operação de filmagem.
Fonte: neofeed.com.br




