Curtailment: Um Ralo de R$ 6,5 Bilhões em Energia Renovável
O Brasil está desperdiçando cerca de 20% de sua energia renovável, um prejuízo estimado em R$ 6,5 bilhões apenas em 2025. Esse cenário alarmante é impulsionado pelo ‘curtailment’, termo que descreve os cortes forçados na geração de energia solar e eólica centralizada, realizados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para evitar sobrecarregar a rede. O que antes era um efeito colateral do rápido crescimento das fontes renováveis, sem o devido acompanhamento da infraestrutura de rede, transformou-se em uma crise que afeta diretamente o caixa de grandes empresas do setor elétrico, como Auren Energia, Serena Geração e Engie Brasil.
Impacto Financeiro e Congelamento de Investimentos
Estudos recentes indicam que o curtailment pode reduzir o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de empresas como Auren Energia em R$ 400 milhões, Serena Geração em R$ 200 milhões e Engie Brasil em R$ 150 milhões em 2025. Essa perda de receita não apenas impacta os resultados financeiros atuais, mas também congela novos investimentos no setor. A insegurança jurídica e a falta de clareza regulatória intensificam o problema, levando a uma queda de 40% nos investimentos em novos projetos fotovoltaicos em 2025. O diretor-geral da Volt Robotics, Donato Filho, alerta que a sobra de energia, que se previa durar até 2030-2031, pode se esgotar já em 2028, comprometendo o planejamento de grandes projetos, como data centers.
Desigualdade nos Cortes e a Vulnerabilidade da Energia Solar
A média de cortes na geração de energia aumentou drasticamente, saltando de 9,6% em 2024 para 20,6% em 2025, o equivalente a 4.021 megawatts-médios (MWm) – energia suficiente para abastecer 8 milhões de residências. No entanto, os cortes não afetam todas as fontes igualmente. Usinas solares registraram uma média de 35% de cortes, enquanto as eólicas ficaram em 15%. Essa disparidade ocorre devido ao excesso de geração solar durante o dia, especialmente da geração distribuída (GD) em telhados, que injeta energia diretamente nas redes das distribuidoras e não está sob o controle do ONS. Consequentemente, as usinas centralizadas acabam arcando com o prejuízo.
Empresas Readequam Estratégias e Buscam Soluções
Diante desse cenário desafiador, gigantes do setor como Engie Brasil, Auren e Echoenergia estão readequando seus portfólios e revisando planos de investimento. A busca por soluções passa pela adaptação a contratos complexos do mercado regulado e livre, e pela tentativa de compartilhar os prejuízos com a geração distribuída. Executivos defendem a criação de mecanismos para distribuir os custos do curtailment entre todos os geradores renováveis, centralizados ou distribuídos, e a implementação de um sinal de preço horário que reflita a real oferta e demanda de energia. A falta de clareza regulatória e a aprovação de leis com vetos e lacunas, como a Lei nº 15.269/2025, agravam a situação, deixando as empresas sem a previsibilidade necessária para negociações e provisões.
Fonte: neofeed.com.br




