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Crescimento com Impulso Fiscal é Insustentável, Alerta Economista-Chefe do Banco Inter

Política Fiscal Expansionista Pressiona Juros e Contas Públicas

A economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitoria, criticou a política fiscal expansionista adotada pelo governo federal, argumentando que ela tem sido um dos principais fatores para a manutenção dos juros em patamares elevados e para a deterioração das contas públicas do Brasil. Segundo Vitoria, o atual modelo de crescimento, baseado em estímulos de gastos, atingiu seu limite e não pode ser prolongado, pois o país não conseguirá sustentar um crescimento acima do seu potencial apenas com base em despesas públicas.

Arcabouço Fiscal Falha em Controlar Despesas e Perde Credibilidade

Em entrevista ao Poder360, Rafaela Vitoria destacou que o arcabouço fiscal, introduzido pelo Ministério da Fazenda, não cumpriu seu objetivo de controlar o crescimento das despesas. Ela observou que, nos últimos anos, os gastos públicos cresceram acima do limite estabelecido pela própria regra, e os mecanismos de contenção previstos não foram acionados. Essa falta de controle fiscal, segundo a economista, contribui diretamente para o chamado “desajuste fiscal”, que, por sua vez, pressiona a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano.

Crescimento Recente Impulsionado por Gastos e Transferências

Apesar de um cenário de curto prazo com perspectivas positivas, Vitoria alertou que o crescimento econômico recente foi significativamente impulsionado por estímulos fiscais e pelo aumento das transferências de renda do governo. Esse “turbinamento” do consumo, embora gere resultados aparentes no curto prazo, não é uma estratégia sustentável a longo prazo e pode levar a pressões inflacionárias e desvalorização cambial no futuro. A economista enfatizou que o país não gerou superávits nesses anos, resultando em um acúmulo de endividamento público.

Impacto no Endividamento e Perspectivas para a Selic

O aumento do déficit nominal, que ultrapassou R$ 1 trilhão nos últimos anos, foi diretamente associado pela economista à política fiscal expansionista e ao custo elevado dos juros. Vitoria explicou que as contas públicas pressionam a Selic por dois canais: a expansão da demanda gerada pela política fiscal e um prêmio de risco exigido pelo mercado, que se reflete em juros mais altos para títulos públicos de longo prazo. Em relação à política monetária, o Banco Inter projeta que o Banco Central iniciará o ciclo de flexibilização com cortes graduais de 50 pontos base, reduzindo a Selic de 15% para 14,50%. No entanto, a intensidade e o ritmo dessa redução dependerão do cenário fiscal e da volatilidade eleitoral, com um patamar de 12,5% considerado possível, mas condicionado à melhora das contas públicas e à autonomia técnica do Banco Central.

Fonte: www.poder360.com.br

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