Imposto de Carbono Europeu Entra em Vigor e Gera Tensão com a China
A União Europeia implementou integralmente, em 1º de janeiro de 2026, o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), uma nova política que exige que importadores paguem por emissões de carbono em produtos específicos. A China, um dos maiores parceiros comerciais da UE, reagiu prontamente, prometendo tomar “todas as medidas necessárias” contra o que considera restrições comerciais injustas. Analistas preveem que a medida possa aumentar consideravelmente os custos de exportações chinesas, como o aço, impactando sua competitividade no mercado europeu.
O Que é o CBAM e Como Funciona?
O CBAM visa combater a “fuga de carbono”, um fenômeno onde empresas transferem suas produções intensivas em emissões para países com regulamentações ambientais menos rigorosas. A partir de agora, importadores de aço, alumínio, cimento, fertilizantes, eletricidade e hidrogênio para a UE precisarão adquirir certificados que correspondam ao preço do carbono pago na UE, comparado ao preço no país de origem. O objetivo é equalizar os custos de produção entre empresas europeias e importadas, garantindo uma concorrência mais justa em termos ambientais.
Indústria Siderúrgica Chinesa na Mira do Imposto
A indústria siderúrgica chinesa é apontada como a mais vulnerável ao novo imposto. Estima-se que mais de 70% do volume comercial coberto pelo CBAM seja de produtos de aço. Dado que a produção de aço na China é majoritariamente baseada em processos de alta emissão de carbono, os exportadores chineses deverão se tornar os principais compradores de certificados CBAM. Um relatório da consultoria Fastmarkets sugere que o uso de valores padrão de intensidade de carbono, aplicados quando os dados declarados pela empresa não são aceitos pela UE, pode adicionar cerca de 144 euros por tonelada ao custo das placas de aço chinesas exportadas para a Europa. Este valor é significativamente maior do que o estimado para outros países como Brasil e Turquia.
Disparidade de Preços e Impacto Econômico
A diferença acentuada entre o preço do carbono na China e na UE é um dos principais fatores que impulsionam o impacto do CBAM. Enquanto o preço do carbono na China gira em torno de US$ 10 por tonelada, na UE ele pode chegar a aproximadamente 90 euros por tonelada. Essa discrepância gera um custo adicional substancial para os importadores. A Fastmarkets projeta que os custos relacionados ao CBAM possam elevar as despesas totais dos importadores de setores como aço, alumínio, fertilizantes e cimento em mais de 12 bilhões de euros a partir de 2026, o que representa cerca de 15% do valor dessas importações. A China, por sua vez, reitera seu compromisso com a cooperação climática, mas defende seus interesses econômicos frente ao que considera medidas protecionistas.




