Brasil Intermediário em Crise Diplomática
O Brasil assumiu oficialmente a representação dos interesses diplomáticos do México no Peru, em uma decisão formalizada pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro no último domingo (25.jan.2026). A medida ocorre após o governo peruano romper relações diplomáticas com o México, em resposta à concessão de asilo à ex-primeira-ministra Betssy Chávez, que enfrenta acusações criminais em seu país.
Contexto do Rompimento
O conflito diplomático se intensificou quando Betssy Chávez, que atuou em diferentes ministérios durante o governo de Pedro Castillo, buscou refúgio no México. Chávez é acusada de participar de um plano para dissolver o Congresso peruano no final de 2022, episódio que levou à deposição e prisão de Castillo. A ex-primeira-ministra, que esteve detida desde junho de 2023, foi libertada por um juiz em setembro, enquanto seu julgamento seguia em andamento. Ela nega as acusações e alega ter sido vítima de maus-tratos e extorsão durante a prisão.
Papel do Brasil e Direito Internacional
Segundo o Itamaraty, o Brasil atendeu a uma solicitação do México e obteve a concordância do Peru para atuar como potência protetora. Essa função abrange a guarda das instalações da embaixada mexicana no Peru, incluindo a residência do chefe de missão, além de seus bens e arquivos. A Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas autoriza que um terceiro país assuma a proteção de uma missão diplomática em caso de interrupção das relações entre dois Estados, desde que haja acordo entre as partes envolvidas.
Reação Peruana e Posição Mexicana
A decisão do Peru de romper laços diplomáticos com o México foi seguida pela declaração da presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, como persona non grata pelo Congresso peruano. Sheinbaum considerou a medida peruana desproporcional, argumentando que a concessão de asilo a Chávez estava em conformidade com as práticas do direito internacional e não justificava tal ruptura. Com o rompimento, o México ficou sem representação diplomática direta no Peru, abrindo caminho para a atuação brasileira como intermediária.
Fonte: www.poder360.com.br




