Avanço com ressalvas
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), classificou o Acordo UE-Mercosul como “o possível”, destacando que ele “abre portas e estabelece cotas”, mas ressaltou que o “livre comércio ainda está distante”. A declaração surge após a União Europeia aprovar o tratado nesta sexta-feira (9), encerrando 26 anos de negociações, apesar da oposição de países como França e Hungria, preocupados com o impacto em seus setores agrícolas.
O que o acordo contempla
O tratado visa facilitar o comércio de bens e serviços através da redução de tarifas alfandegárias. Além disso, inclui compromissos em áreas como propriedade intelectual, compras públicas e sustentabilidade ambiental. A aprovação, por maioria qualificada dos Estados-membros da UE, é um passo crucial, mas o acordo só entrará em vigor após a ratificação pelo Parlamento Europeu e pelos congressos sul-americanos.
Perspectivas e desafios para o agronegócio
Tereza Cristina, que participou das negociações em Bruxelas em 2019, considera a aprovação um avanço, mas aponta para novas salvaguardas impostas pela UE como “ameaças injustas” ao agronegócio brasileiro. Apesar dessas preocupações, a senadora acredita que o acordo pode ser ajustado para abrir novas perspectivas comerciais e oferecer alternativas para as exportações brasileiras em um cenário global protecionista.
Oportunidades e dados comerciais
A União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do Mercosul. O acordo criará um mercado com cerca de 718 milhões de pessoas e um PIB combinado de US$ 22,4 trilhões. Em 2025, o Brasil exportou US$ 49,8 bilhões para a UE e importou US$ 50,3 bilhões, com a corrente comercial superando US$ 100 bilhões pela primeira vez. O Brasil se consolidou como o maior produtor mundial de carne bovina e de vitela em 2025, um dado relevante no contexto das discussões sobre o acordo.
Fonte: www.poder360.com.br




