Acordo Mercosul-UE: 21 países europeus aprovam, 5 votam contra e Bélgica se abstém em decisão histórica após 25 anos de negociações
Tratado busca criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, mas enfrenta resistência de nações preocupadas com agricultura e meio ambiente.
Maioria Qualificada Garante Avanço do Pacto Histórico
O Conselho da União Europeia (UE) deu um passo significativo nesta sexta-feira (9.jan.2026), aprovando o acordo de livre comércio com o Mercosul após mais de duas décadas de negociações. A decisão, que abre caminho para a assinatura formal do tratado, contou com o apoio de 21 dos 27 países membros, enquanto 5 votaram contra e a Bélgica optou pela abstenção, citando preocupações com a agricultura e o meio ambiente. O Mercosul, por sua vez, manifestou apoio integral à proposta.
Alemanha Lidera Defesa do Acordo como Estratégia Global
A Alemanha emergiu como uma das principais defensoras do acordo, enxergando-o como uma oportunidade estratégica para expandir o comércio bilateral e fortalecer setores industriais e tecnológicos. Berlim destacou o potencial do pacto para facilitar a exportação de bens como carros, máquinas e equipamentos, além de impulsionar cadeias de valor e investimentos. O governo alemão também vê o tratado como um meio de consolidar parcerias políticas e econômicas com a América do Sul, criando um ambiente mais seguro para empresas de ambos os blocos. A posição alemã foi crucial na construção de consenso dentro da UE, influenciando países indecisos a aderir à aprovação.
Resistência e Preocupações na Europa
Apesar da aprovação majoritária, o acordo enfrentou oposição de cinco países europeus: França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda. As principais objeções giram em torno de preocupações econômicas e ambientais, com receios sobre a competitividade do setor agrícola europeu e a manutenção dos padrões de produção. A Bélgica, ao se abster, reforçou essas preocupações, indicando riscos potenciais para sua agricultura e ecossistemas. A Itália, inicialmente hesitante, mudou sua posição após obter garantias sobre mecanismos de proteção para seu setor agrícola e a promessa de fundos suplementares, uma virada considerada decisiva para atingir a maioria qualificada.
Mercosul Celebra Oportunidade Histórica
Do lado sul-americano, a reação ao acordo foi de total aprovação. Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai veem no tratado uma chance ímpar de expandir suas exportações, especialmente de produtos agrícolas como soja, carne bovina, açúcar e milho, e de garantir acesso a um mercado consumidor robusto. Os países do Mercosul destacam ainda que o acordo fortalece sua inserção internacional e competitividade nas cadeias globais de valor, contrastando com os debates e objeções observados na União Europeia.
Fonte: www.poder360.com.br




