Caos em Aeroportos Portugueses: Mau Planeamento e Falhas Tecnológicas Ameaçam Imagem do Turismo Nacional
Longas filas, voos perdidos e frustração marcam a experiência dos passageiros com o novo sistema europeu de controlo de fronteiras, exposto por falhas de infraestrutura e falta de preparação.
O controlo de fronteiras nos aeroportos portugueses tornou-se um foco de preocupação, com relatos de horas de espera, voos perdidos e crescente frustração entre os passageiros. A introdução do novo Sistema de Entrada/Saída (EES) da União Europeia, que visa registar eletronicamente cidadãos de países terceiros, tem sido apontada como um dos agravantes, mas especialistas e associações do setor sublinham que o cerne do problema reside na falta de planeamento, falhas tecnológicas e uma infraestrutura desajustada.
O Sistema EES e as Acusações Cruzadas
O EES, implementado em Portugal e no espaço Schengen em outubro de 2025, substitui os carimbos manuais por registos biométricos e digitais. No entanto, desde a sua entrada em vigor, os tempos de espera nas fronteiras aéreas, especialmente no Aeroporto Humberto Delgado em Lisboa, agravaram-se significativamente. A Comissão Europeia, contudo, nega que o EES seja o principal responsável pelas filas em Portugal, atribuindo a responsabilidade ao país. Em contrapartida, o Governo português tem apontado o dedo a Bruxelas, com o Secretário de Estado das Infraestruturas a afirmar que os constrangimentos afetam aeroportos em toda a Europa.
Relatório da Comissão Europeia e Medidas Urgentes
Uma inspeção surpresa da Comissão Europeia em dezembro detetou “graves deficiências” no controlo de fronteiras português, com 14 falhas críticas relacionadas com recursos humanos, falta de equipamentos e procedimentos de segurança simplificados. Em resposta, o Governo suspendeu temporariamente a aplicação do EES e adotou medidas urgentes. O Ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, reconheceu a situação como um “embaraço” para Portugal e garantiu investimentos em hardware e recursos humanos para mitigar o problema.
Reforço de Agentes e Infraestrutura em Obras
Para agilizar o processamento de passageiros, o Governo anunciou um reforço de 340 elementos da PSP nos aeroportos portugueses, com formação específica. Além disso, foram ampliados os espaços de controlo, reforçados os postos de documentação e aumentadas as e-gates (portas eletrónicas). O objetivo é garantir uma operação mais fluida durante o pico do verão e a longo prazo. No entanto, a eficácia destas medidas em plena época alta permanece uma incógnita.
Impacto na Imagem de Portugal e Competitividade Turística
Miguel Quintas, presidente da Associação Nacional de Agências de Viagens (ANAV), alerta para o grave impacto a curto, médio e longo prazo na imagem do turismo nacional. A experiência negativa de longas esperas na chegada a Portugal, amplificada pelas redes sociais, pode comprometer anos de investimento na promoção do país. Quintas sublinha que Portugal está a perder competitividade no setor turístico devido à falta de planeamento. Embora ainda não haja cancelamentos em massa, a insatisfação dos clientes aumenta e operadores internacionais podem redirecionar turistas para outros destinos.
Fragilidades Estruturais e Falta de Planeamento
António Moura Portugal, diretor-geral da Associação das Companhias Aéreas em Portugal (Rena), reconhece melhorias recentes, mas aponta fragilidades estruturais, especialmente no Aeroporto de Lisboa, cuja infraestrutura do século passado não acompanha as exigências do século XXI. Pedro Castro, consultor em aviação, concorda que o problema reside na combinação de fatores técnicos e operacionais, com um falhanço claro no planeamento e implementação do sistema. A suspensão total do EES em dezembro e a posterior preparação insuficiente são apontadas como falhas críticas, com o receio de que as medidas atuais sejam apenas “pensos rápidos” para problemas mais profundos.
Fonte: pt.euronews.com

