Irã minimiza prazo para acordo de paz com EUA
O Irã afirmou neste sábado (13.jun.2026) que um acordo preliminar de paz com os Estados Unidos para encerrar a guerra iniciada em fevereiro está próximo, mas descartou a possibilidade de que o documento seja formalizado nas próximas 24 horas. A sugestão de um prazo tão curto partiu do governo do Paquistão, mediador nas negociações, segundo informações da Reuters.
Entendimento em fase final, mas com ressalvas
Autoridades de Washington e Teerã indicaram na sexta-feira (12.jun) que um entendimento está iminente. Um integrante do governo americano declarou à Reuters que o texto-base do acordo já foi acordado entre os países e que os EUA esperam concluir a assinatura inicial nos próximos dias. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, chegou a anunciar neste sábado que as partes haviam chegado a uma estrutura para um acordo de paz e que seu país se preparava para uma assinatura eletrônica, prevendo reuniões técnicas na semana seguinte. Sharif chegou a sugerir que o acordo poderia ser formalizado já no domingo (14.jun).
No entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, minimizou essa avaliação, afirmando que ainda não há uma data definida para a assinatura do memorando de entendimento. “Teremos que esperar para ver a data exata da assinatura do memorando, embora não seja amanhã”, declarou Baghaei à mídia estatal iraniana. Ele acrescentou que a conclusão do acordo nos próximos dias não está descartada, mas ressaltou a necessidade de cautela diante da “hesitação da outra parte”.
Guerra e detalhes do acordo proposto
A guerra, que começou em 28 de fevereiro após ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã, resultou em milhares de mortos e impactou o mercado global de energia. O conflito incluiu o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã e um bloqueio naval americano aos portos iranianos.
Segundo fontes envolvidas nas negociações, o memorando em discussão prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio naval americano. Em contrapartida, os EUA iniciariam a liberação de bilhões de dólares em ativos iranianos congelados e suspenderiam sanções às exportações de petróleo do país. A questão nuclear, um dos principais motivos para o início da guerra, seria abordada em uma etapa posterior, com um período de 60 dias para negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Resistência de Israel e divergências nucleares
Israel, que não participa das negociações, já manifestou oposição a alguns termos do acordo. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que o país não fará parte do memorando, expondo divergências com a Casa Branca, especialmente sobre a redução das operações militares no Líbano. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, indicou que Teerã não aceita abrir mão integralmente de seu programa nuclear, defendendo a manutenção do urânio em forma diluída e considerando que o país saiu fortalecido do conflito. Após essas declarações, forças americanas interceptaram drones iranianos em direção ao Estreito de Ormuz, garantindo a continuidade do tráfego comercial.
Fonte: www.poder360.com.br

