Fragmentação e Concentração Regional: Principais Gargalos Identificados
Um estudo recente do Ministério da Saúde, em parceria com a UFMG, analisou o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) no triênio 2021-2023. Apesar do recorde de 203 projetos e R$ 3,8 bilhões investidos, a pesquisa revelou fragilidades significativas. Uma das principais preocupações é a concentração de 42% dos projetos nas regiões Sudeste e Sul, enquanto Norte e Centro-Oeste representam apenas 20% e 22%, respectivamente. A falta de diagnósticos prévios e a sobreposição de ações também foram apontadas, indicando a necessidade urgente de uma política de equidade e uso intensivo de dados para alocar recursos de forma mais justa.
Baixa Transparência e Dificuldade de Monitoramento Comprometem Efetividade
A identificação e o rastreamento dos beneficiários dos projetos do Proadi-SUS apresentam dificuldades devido ao uso predominante de dados agregados. Essa falta de clareza compromete a tomada de decisões, o monitoramento e a análise do impacto real das iniciativas. O estudo alerta que a baixa transparência pode prejudicar o alinhamento com as prioridades do Ministério da Saúde. Além disso, problemas como redundância temática, falta de sinergia entre os projetos e baixa adesão dos gestores foram observados, dificultando a avaliação da efetividade das ações com indicadores focados em execução física e financeira.
Baixa Incorporação de Resultados e Desafios para o Próximo Ciclo
A pesquisa também destacou a baixa incorporação dos produtos e soluções desenvolvidos pelo Proadi-SUS no Sistema Único de Saúde. A falta de planejamento para internalizar os resultados e a ausência de critérios claros para continuidade e transição das ações limitam a conversão de resultados em capacidades estruturantes. Para o próximo triênio (2027-2029), a gestão do Ministério da Saúde busca reorientar o programa, focando em temas estratégicos, fortalecendo a governança e aumentando a integração sistêmica. A meta é transformar projetos isolados em portfólios articulados que gerem transformações significativas para o SUS.
Estratégias para Ampliar o Impacto e Promover a Inovação
Diante dos desafios identificados, o Ministério da Saúde planeja implementar novas diretrizes para o Proadi-SUS. Entre as medidas estão a revisão dos critérios de continuidade de projetos, com foco em 70% de renovações que impactam a inovação, e o estímulo a projetos mais robustos e integrados. A ampliação da presença do programa em regiões menos contempladas e o uso de dados para orientar investimentos são prioridades. A expectativa é que, ao avançar de iniciativas isoladas para portfólios estruturados em torno de prioridades como atenção primária, saúde digital e inovação tecnológica, o Proadi-SUS consiga gerar um impacto mais expressivo e duradouro no fortalecimento da rede pública de saúde.
Fonte: futurodasaude.com.br

