IA deve ser ferramenta de emancipação, não de escravidão
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu em Genebra, na Suíça, que os avanços proporcionados pela inteligência artificial (IA) devem resultar na libertação dos trabalhadores, e não em sua maior exploração. Em discurso na 114ª Conferência Internacional do Trabalho, organizada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), Marinho ressaltou que os ganhos de produtividade gerados pela tecnologia precisam ser compartilhados de forma justa.
O ministro concordou com o relatório do diretor-geral da OIT, Gilbert F. Houngbo, que aponta a IA como um avanço com potencial para melhorar serviços e produtividade, mas que também apresenta riscos como intensificação de jornadas, aumento da vigilância digital e perda de autonomia. Segundo Marinho, os efeitos da IA no mercado de trabalho dependem de escolhas políticas e do fortalecimento do diálogo social.
Ganhos de produtividade: salário, tecnologia e tempo livre
Marinho argumentou que a riqueza gerada pela automação não deve beneficiar unicamente a concentração de capital. Para ele, a distribuição mais justa desses ganhos se traduz em salário digno, acesso à tecnologia e mais tempo livre para os trabalhadores. Essa visão se alinha à proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem corte salarial, e à extinção da escala 6×1, garantindo pelo menos dois dias de descanso semanais.
“A tecnologia deve trabalhar para libertar o ser humano, não para escravizá-lo a uma lógica de vigilância ininterrupta e exaustão física e mental”, declarou o ministro, enfatizando a importância de temas como saúde mental, descanso e qualidade de vida no debate sobre o futuro do trabalho.
Fortalecimento de sindicatos e direitos trabalhistas
O ministro destacou que o Brasil compartilha das preocupações levantadas pela OIT e que o governo Lula tem buscado tratar o tema de forma interdisciplinar, com iniciativas de qualificação profissional. Ele reforçou a compatibilidade entre crescimento econômico e direitos trabalhistas, citando a criação de 5 milhões de empregos formais no atual governo.
Marinho também defendeu o fortalecimento dos sindicatos, da negociação coletiva e da democracia, afirmando que “não há justiça social onde as instituições são enfraquecidas e onde a voz dos trabalhadores é silenciada”. Ele concluiu seu discurso defendendo a criação de diretrizes internacionais para garantir que o avanço tecnológico promova “emancipação social, equidade e trabalho decente para todos”.
Fonte: www.poder360.com.br

