Crime Choca Comunidade Religiosa
O bispo de Quelimane, Osório Citora Afonso, foi encontrado sem vida nas primeiras horas de sábado, vítima de um disparo de arma de fogo AK-M a curta distância, que o atingiu no coração. O crime ocorreu na residência oficial do bispado, o Paço Episcopal, em Quelimane. Segundo investigações preliminares, os suspeitos teriam escalado o muro da propriedade, que contava com cerca elétrica.
Apelo por Justiça e Segurança
O Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SCEAM) expressou profunda preocupação com o assassinato e emitiu um comunicado exigindo às autoridades moçambicanas uma investigação “imediata, completa, transparente e independente”. O SCEAM pede a identificação, o processamento e a punição de todos os envolvidos no crime, sejam autores diretos, cúmplices ou mandantes. Além disso, o comunicado, assinado pelo arcebispo de Kinshasa, Fridolin Ambongo, solicita o reforço das medidas de proteção para líderes religiosos, locais de culto e todos os que se dedicam ao trabalho pastoral e humanitário, ressaltando a responsabilidade do Estado em garantir a liberdade e a segurança para o exercício da fé.
Repercussão e Condolências
O Vaticano também se manifestou, com o Papa Leão XIV expressando consternação pelo ocorrido. Em Moçambique, o presidente da Conferência Episcopal, Inácio Saure, apelou à serenidade da população, enquanto o presidente Daniel Chapo lamentou a “perda irreparável para a sociedade moçambicana, em geral, e para a comunidade cristã, em particular”. Até a segunda-feira, as cerimônias fúnebres do bispo ainda não haviam sido realizadas e não havia informações sobre prisões dos suspeitos.
Perfil da Vítima e Contexto Religioso
Osório Citora Afonso tinha 54 anos e foi nomeado bispo de Quelimane em agosto do ano passado. Recentemente, acumulava interinamente as funções de administrador apostólico da Arquidiocese da Beira. A comunidade católica representa cerca de 25% da população moçambicana, que possui um cenário religioso diversificado, com presença significativa de muçulmanos (17%), protestantes e crenças tradicionais.
Fonte: pt.euronews.com

