A corrida espacial da internet: LEO vs. GEO
A Starlink, de Elon Musk, revolucionou o acesso à internet via satélite no Brasil, superando rivais tradicionais em número de assinantes. No entanto, para quem busca alternativas ou se incomoda com o aumento dos preços – o plano residencial agora custa R$ 189 e o Max R$ 249 –, existem outras operadoras que continuam a oferecer o serviço, muitas vezes com foco em regiões rurais, agronegócio e locais onde a fibra ótica e o 5G ainda não chegaram. A principal diferença tecnológica reside na órbita dos satélites: a Starlink utiliza satélites em Órbita Baixa (LEO), a cerca de 500-600 km de altitude, o que resulta em menor latência e melhor desempenho para aplicações em tempo real. Já as concorrentes mais antigas, como HughesNet e Viasat, e parte das redes institucionais, usam satélites Geoestacionários (GEO), posicionados a aproximadamente 36 mil km da Terra, o que garante ampla cobertura, mas com latência significativamente maior.
HughesNet: A aposta tradicional no interior
Por anos, a HughesNet foi a principal referência em internet satelital no Brasil e mantém uma presença forte em áreas rurais. Utilizando satélites GEO, a empresa oferece ampla cobertura e uma instalação consolidada. O principal ponto de atenção para os usuários é a latência, que pode ultrapassar os 500 ms devido à grande distância que o sinal precisa percorrer. Isso pode impactar negativamente jogos online, chamadas de vídeo e outras aplicações que exigem resposta rápida. Contudo, para navegação web comum, streaming de vídeos e trabalho que não envolva videoconferências intensas, a HughesNet ainda se mostra uma opção viável.
Viasat: Soluções corporativas e remotas
A Viasat, que também opera no Brasil há anos, foca suas operações em projetos corporativos, agronegócio e localidades remotas, utilizando satélites GEO. A experiência de uso é similar à da HughesNet, com velocidades menores e latência elevada, além de uma maior dependência de franquias de dados. O diferencial da Viasat reside em suas soluções especializadas para empresas de mineração, grandes fazendas e operações que demandam conectividade em ambientes desafiadores e remotos. Embora ofereça planos residenciais, o foco histórico da empresa não é o mercado de massa como o da Starlink.
Telebras e o SGDC: Infraestrutura estratégica para inclusão
A Telebras, por meio do satélite geoestacionário SGDC, atua de forma diferente no mercado. Ela não compete diretamente no varejo com operadoras como Starlink ou HughesNet, mas serve como uma infraestrutura estratégica para programas governamentais. Seu foco principal está em conectar escolas, postos de saúde, órgãos públicos e iniciativas de inclusão digital, especialmente em áreas de difícil acesso. Embora não seja uma operadora tradicional para o consumidor final, parcerias regionais futuras podem transformar sua capacidade em ofertas de internet locais, ampliando o leque de opções para além das gigantes do setor.
Fonte: canaltech.com.br

