Decisão Americana e Improvável Reversão
Uma porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou que a reversão da decisão de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) é um cenário “normalmente não revertido”. A declaração foi feita ao ser questionada sobre a possibilidade de retirada futura dessa classificação, que entrará em vigor em 5 de junho.
Segundo a porta-voz, as autoridades americanas continuam monitorando a situação, mas o objetivo do governo é “eliminar esses dois grupos” e suas operações tanto nos Estados Unidos quanto em outros países, incluindo o Brasil. A inclusão das facções brasileiras na lista de FTOs foi anunciada pelo Secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Foco na Segurança Nacional, Não em Pressões Políticas
A porta-voz fez questão de desvincular a decisão de pressões recentes de integrantes da família Bolsonaro, apesar de Flávio Bolsonaro ter defendido publicamente a medida após reuniões em Washington. “A designação foi decisão do presidente Trump e da sua equipe”, declarou, enfatizando que o presidente “faz as suas decisões de maneira independente”.
O processo para enquadrar o PCC e o CV como FTOs, segundo a porta-voz, foi analisado por meses, envolvendo investigações aprofundadas e avaliações de especialistas do governo americano. “Não é algo que se faz de um dia para o outro”, ressaltou, adicionando que a segurança nacional tem sido uma prioridade da administração Trump desde o início de seu mandato.
Sanções Específicas e Sem Impacto Geral no Brasil
Para mitigar temores manifestados por setores do governo Lula e do mercado financeiro, a porta-voz esclareceu que a medida prevê consequências específicas para os membros das facções: restrições de visto, bloqueio de bens nos EUA, proibição de transações e criminalização do apoio material. “Essas designações não têm nenhuma consequência com o militar, nada assim”, afirmou, descartando a interpretação de que a medida possa abrir caminho para intervenções militares diretas dos EUA no Brasil.
A porta-voz também evitou especular sobre sanções mais amplas contra o Brasil ou suas instituições financeiras, garantindo que, no momento, as designações “se aplicam só a esses dois grupos”. Washington espera a continuidade da cooperação em segurança com o Brasil e defende medidas mais rigorosas por parte do governo brasileiro contra as organizações criminosas, utilizando as leis e instrumentos nacionais.
Fonte: viva.com.br

