O Dilema do CPF na Farmácia
A prática de vincular descontos em medicamentos e produtos farmacêuticos à apresentação do Cadastro de Pessoa Física (CPF) tem gerado preocupação entre consumidores, especialmente idosos, que podem ser mais vulneráveis a práticas abusivas. Especialistas em direito alertam que, embora algumas farmácias justifiquem a exigência para programas de fidelidade ou convênios, transformar o CPF em condição obrigatória para obter um benefício anunciado pode configurar uma prática irregular.
Direitos do Consumidor e a LGPD em Jogo
De acordo com o advogado Murilo Aranha, especialista em direito médico, os consumidores têm o direito de saber o motivo da coleta de seus dados, para qual finalidade serão utilizados, por quanto tempo serão armazenados, com quem serão compartilhados e como solicitar a exclusão. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) reforça essa necessidade, classificando dados de saúde como sensíveis e exigindo cautela e transparência no seu tratamento. O Código de Defesa do Consumidor (CDC) também protege contra práticas abusivas e a exigência de vantagens excessivas.
Os Riscos por Trás da Coleta de Dados
O especialista Murilo Aranha destaca que o principal risco não é apenas a exposição do CPF, mas a criação de um perfil detalhado de saúde e consumo do cidadão. Essas informações podem ser utilizadas para publicidade direcionada, ofertas insistentes, compartilhamento com terceiros, precificação diferenciada e até mesmo para fraudes, como abertura de cadastros indevidos e engenharia social, em caso de vazamento de dados.
O que Fazer Diante da Exigência?
O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) orienta que os consumidores podem recusar o fornecimento do CPF e questionar a exigência do estabelecimento. A obrigatoriedade do documento se restringe a situações específicas, como a compra de medicamentos controlados, antibióticos ou no programa Farmácia Popular. Caso o desconto seja negado pela recusa em informar o CPF, o Idec recomenda o registro de reclamação nos órgãos de defesa do consumidor.
Posição das Farmácias
A Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) defende a prática, alegando que a identificação do cliente é comum em diversas transações comerciais e que os dados coletados auxiliam na prevenção de falta de medicamentos e em questões regulatórias. No entanto, a entidade não detalhou o porquê da vinculação direta de descontos ao CPF, focando em explicar como os programas de fidelidade proporcionam preços menores.
Fonte: viva.com.br

