Futebol Brasileiro: O Que Falta Para Se Tornar Uma Tese de Investimento Global e Destravar Bilhões
Clima de otimismo com SAFs e capital abundante, mas liga unificada e profissionalização são cruciais para transformar o ‘produto futebol’ em ativo de alto valor internacional.
O futebol brasileiro, conhecido mundialmente como a maior fábrica de talentos, está sendo apresentado nos Estados Unidos como uma classe de ativo com potencial de monetização subestimado. Em eventos como o Itaú BBA Sports Summit, executivos de clubes, investidores e banqueiros discutem o cenário promissor, impulsionado por uma rara convergência entre capital disponível, avanços regulatórios e alta demanda. A percepção internacional de que o futebol se tornou um ativo relevante, especialmente por ser resiliente à inteligência artificial, atrai olhares para o Brasil.
Potencial de Mercado Ignorado e a Comparação com a Premier League
Apesar de possuir mais de 100 milhões de consumidores e ser o principal exportador de jogadores do mundo, o futebol brasileiro ainda monetiza seus direitos de transmissão de forma significativamente inferior a ligas como a Premier League. Enquanto a liga inglesa fatura mais de US$ 2 bilhões anuais em broadcasting e gera cerca de US$ 12 por habitante em receitas de mídia, o Brasil movimenta cerca de US$ 600 milhões, representando apenas US$ 2 per capita. Especialistas apontam que o mercado brasileiro tem potencial para ser três a quatro vezes maior, mas o foco histórico esteve na exportação de jogadores, não na construção de um produto de entretenimento global.
As SAFs e a Nova Era de Investimentos no Futebol Brasileiro
A criação das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) representou um marco importante, abrindo as portas para a entrada de investidores privados e grupos internacionais como Red Bull e City Football Group. Essa mudança regulatória impulsionou a profissionalização e atraiu capital, mas é vista apenas como uma parte da transformação necessária. A consolidação da tese de investimento no futebol brasileiro depende de pilares como a completa profissionalização da gestão, a implementação rigorosa do fair play financeiro e, crucialmente, a centralização dos direitos comerciais.
A Necessidade Urgente de uma Liga Unificada
A discussão sobre a criação de uma liga unificada surge como o principal gargalo para destravar o valor total do futebol brasileiro. A centralização das negociações comerciais e a distribuição mais eficiente de receitas são essenciais para apresentar um produto organizado e atraente ao mercado internacional. Atualmente, apenas 1% das receitas de mídia do futebol brasileiro provêm do exterior, em contraste com os 40% a 50% da Premier League. A exportação do ‘campeonato’, e não apenas de jogadores, é vista como o caminho para competir globalmente por audiência, mídia e capital.
Otimismo Cauteloso e o Risco de Perder o Timing
Embora o otimismo com o futuro do futebol brasileiro como ativo de investimento seja palpável, a preocupação com a perda de tempo é crescente. Desde 2021, as discussões sobre a estruturação de uma liga avançam, mas o processo tem gerado desgaste e impaciência em alguns investidores. Há o risco de o mercado perder o momento ideal de entrada, caso os entraves de governança e a estruturação de uma liga forte não sejam solucionados rapidamente. A aposta é que, com a resolução desses desafios, o Brasil poderá transformar um produto historicamente submonetizado em uma das plataformas esportivas mais valiosas do mundo emergente.
Fonte: neofeed.com.br

