Governo aposta em nova edição do Desenrola para impulsionar economia e aliviar endividamento
Em um ano marcado por eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a segunda edição do programa Desenrola Brasil, com o objetivo de renegociar dívidas de milhões de brasileiros. A iniciativa, que será enviada ao Congresso por meio de medida provisória, permitirá o uso de até 20% do saldo do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para quitação de débitos. A primeira versão do programa, encerrada em 2024, renegociou R$ 53 bilhões para 15 milhões de pessoas, mas o alto índice de inadimplência persistiu.
Novidades e estratégias do Desenrola 2
A nova fase do Desenrola Brasil traz como principal novidade a possibilidade de utilizar o FGTS para abater dívidas, desde que o desconto oferecido na negociação seja de, no mínimo, 40%. Além disso, o programa proíbe, por um ano, o uso de plataformas de apostas online para quem aderir. O plano, estruturado pelo Ministério da Fazenda, visa ampliar o alcance e atender públicos que não foram contemplados na primeira edição. As dívidas elegíveis incluem cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, com descontos que podem chegar a 90% e juros limitados a 1,99% ao mês.
Desafios e o cenário da inadimplência
Apesar do sucesso em número de participantes e volume renegociado na primeira edição, o Desenrola 1 não conseguiu reduzir de forma estrutural o número de brasileiros inadimplentes. Dados recentes indicam que 82,8 milhões de pessoas estavam com o nome negativado em março de 2026, um recorde histórico. O governo argumenta que o aumento da inadimplência, influenciado por juros elevados, renda pressionada e acesso restrito ao crédito, reforça a necessidade de uma nova rodada do programa. A expectativa é que a redução da inadimplência destrave o consumo e melhore indicadores de crédito, contribuindo para a recuperação econômica.
Análise da eficácia e alcance do programa
Especialistas apontam que, embora o Desenrola 1 tenha beneficiado um número expressivo de pessoas, ele atendeu apenas uma parcela limitada do total de endividados. A magnitude da inadimplência atual sugere que o programa atingiu cerca de 20% dos devedores. A nova edição busca maior abrangência, mas a persistência de fatores estruturais que levam ao endividamento levanta questionamentos sobre a capacidade do programa de gerar uma solução duradoura para a crise de crédito que afeta milhões de famílias brasileiras.
Fonte: www.poder360.com.br

