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Lucro de Siderúrgicas Chinesas Cai 5,1% no 1º Trimestre de 2026 com Custos Altos e Imposto de Carbono da UE

Queda nos Lucros e Margens Apertadas

As principais siderúrgicas chinesas registraram uma queda de 5,1% em seus lucros consolidados no primeiro trimestre de 2026, totalizando 21,7 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 3,2 bilhões). Essa retração resultou em uma margem de lucro de apenas 1,46%, conforme divulgado pela Associação Chinesa de Ferro e Aço. Apesar de a receita ter apresentado um leve aumento de 1,2% no período, alcançando 1,49 trilhão de yuans (US$ 220 bilhões), a lucratividade foi significativamente afetada por uma série de fatores adversos.

Pressão de Custos e Demanda Interna Fraca

Os custos operacionais das siderúrgicas chinesas aumentaram 1,5% no primeiro trimestre. Jiang Wei, secretário-geral da associação, atribuiu esse encarecimento aos conflitos no Oriente Médio, que impactaram os preços do petróleo, os custos de mineração e os fretes marítimos. Consequentemente, os preços de matérias-primas essenciais como minério de ferro e carvão metalúrgico mantiveram-se em patamares elevados desde o final de fevereiro. Mesmo com estoques portuários recordes de 170 milhões de toneladas em abril, o minério de ferro importado oscilou entre US$ 105 e US$ 110 por tonelada. Paralelamente, o mercado interno chinês mostrou pouca força, com o consumo aparente de aço bruto caindo 4,4% no trimestre, para 220 milhões de toneladas. Essa desaceleração na demanda doméstica levou a uma queda de 4,39% nos preços do aço na China, contrastando com a alta de 7% observada nos mercados internacionais, e resultou em um aumento de 17% nos estoques de aço nas siderúrgicas desde o início do ano.

Impacto do Mecanismo de Ajuste de Carbono da UE

O setor siderúrgico chinês também enfrenta desafios significativos no mercado externo devido ao Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) da União Europeia, que entrou em vigor integralmente no início de 2026. Autoridades chinesas criticaram os valores padrão de emissão de carbono definidos pela UE, considerando-os discriminatórios. Jiang Wei apontou que o valor padrão de 3,2 toneladas de carbono por tonelada de aço chinês é quase o dobro das emissões reais do país e substancialmente maior do que os valores atribuídos a concorrentes de outras nações. Wang Bin, vice-secretário-geral da associação, alertou que o impacto financeiro se tornará ainda mais severo com a expansão do imposto de carbono em 2028 para incluir produtos derivados do aço e do alumínio, como máquinas e autopeças. Estima-se que exportadores chineses possam enfrentar até 1,42 bilhão de euros (US$ 1,7 bilhão) em taxas de carbono, o que representaria um aumento de cerca de 7% nos custos e uma restrição considerável ao acesso ao mercado europeu.

Apelo por Diálogo e Adaptação

Diante desse cenário, Wang Bin apelou ao governo chinês para que utilize o diálogo bilateral com a UE a fim de promover a adoção de um mecanismo de contabilidade de carbono baseado em dados objetivos, em vez de médias punitivas. A preocupação é que o ônus financeiro para os exportadores chineses tende a aumentar à medida que a UE eliminar completamente suas licenças de emissão de carbono gratuitas até 2034. A situação atual evidencia a crescente pressão sobre a China, maior produtora de aço do mundo, tanto por tensões geopolíticas que elevam os custos da cadeia de suprimentos quanto por políticas climáticas mais rigorosas implementadas por blocos econômicos ocidentais, que ameaçam sua competitividade global.

Fonte: www.poder360.com.br

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