Nova Abordagem em Relação a Caracas
Os Estados Unidos sinalizam uma abertura para trabalhar com o atual governo da Venezuela, mesmo após a recente operação militar que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Em declarações à CBS neste domingo (4 de janeiro de 2025), o Secretário de Estado Marco Rubio afirmou que Washington está disposto a dialogar com os líderes venezuelanos se eles tomarem as “decisões certas”. A declaração surge um dia após a ação militar, justificada pelo Presidente Donald Trump como um passo para levar Maduro à justiça.
Pressão e Expectativas Americanas
Rubio ressaltou que, apesar da disposição para o diálogo, os Estados Unidos manterão “instrumentos de pressão” caso as expectativas americanas não sejam atendidas pelo governo interino. A Suprema Corte venezuelana determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma interinamente a presidência. Sobre a possibilidade de trabalhar com Rodríguez, Rubio declarou que os objetivos dos EUA em relação à Venezuela e seu impacto no interesse nacional americano permanecem inalterados.
O Secretário de Estado destacou que a principal diferença em relação à gestão anterior é que Maduro era “alguém com quem não se podia trabalhar”, pois “nunca respeitou nenhum dos acordos que firmou”. Os EUA, segundo Rubio, ofereceram em diversas ocasiões a Maduro a oportunidade de se retirar de forma pacífica. A possibilidade de envio de tropas americanas para o território venezuelano foi mencionada por Rubio como uma “opção que ele [Trump] não pode descartar publicamente”.
Petróleo e Interesses Econômicos
O embargo americano ao petróleo venezuelano, segundo Rubio, confere aos Estados Unidos “enorme influência sobre o que acontece a seguir” no país. A administração Trump espera ver mudanças significativas, não apenas na gestão da indústria petrolífera, mas também no combate ao tráfico de drogas, à atuação de gangues, na expulsão das Farc e do ELN, e no fim da aproximação com o Hezbollah e o Irã no hemisfério. Em declarações anteriores, o Presidente Trump já havia sinalizado que empresas norte-americanas explorariam o petróleo venezuelano, vendo os lucros como uma forma de “reembolso” pelos “danos” que a Venezuela teria causado aos EUA.
Detalhes da Operação Militar
A operação militar que levou à captura de Maduro foi anunciada por Trump em seu perfil na rede Truth Social no sábado (3 de janeiro de 2026). O General Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, informou que Trump ordenou a captura na noite de sexta-feira (2 de janeiro). A ação incluiu ataques a quatro alvos no país com 150 caças e bombardeios, visando neutralizar sistemas de defesa aérea venezuelanos. Helicópteros militares americanos transportaram tropas para Caracas, concluindo a missão em aproximadamente duas horas e vinte minutos.
A ação levanta questionamentos sobre a aprovação do Conselho de Segurança da ONU e o possível descumprimento de leis americanas, que exigiriam aprovação prévia do Congresso. Rubio justificou a falta de comunicação antecipada com os congressistas pela impossibilidade de fazê-lo. Relatos indicam um número incerto de mortos e feridos, com o jornal New York Times reportando ao menos 40 mortes, embora autoridades venezuelanas não tenham divulgado números oficiais, afirmando que civis morreram. Um oficial americano declarou que não houve baixas entre militares dos EUA.
Transição Política e Contestações
Trump anunciou que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração do país até a definição de uma transição política, focando nas declarações sobre a exploração petrolífera. A Constituição venezuelana prevê que o poder seja exercido pela vice-presidente Delcy Rodríguez, que, segundo Trump, manifestou disposição para cooperar. Trump também declarou que a líder oposicionista María Corina Machado não teria apoio político suficiente para governar. No entanto, em pronunciamento ao vivo, Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a ação como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo. Ela declarou que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com o governo Trump, baseada no direito internacional, e que o país “não será colônia de nenhum outro país”.




