Tim Cook se despede do cargo de CEO da Apple, marcando uma era de crescimento sem precedentes
A Apple anunciou nesta segunda-feira (20) que Tim Cook encerrará sua trajetória como CEO da empresa em 1º de setembro de 2026, após quase 15 anos liderando a gigante de Cupertino. Cook assumirá a posição de chairman executivo, enquanto John Ternus, atual vice-presidente sênior de engenharia de hardware, será o novo CEO. A transição, anunciada de surpresa, levou a uma leve queda de 1% nas ações da Apple no mercado pós-fechamento.
Um legado de expansão e consolidação
Tim Cook assumiu a liderança da Apple em agosto de 2011, sucedendo Steve Jobs. Na época, a empresa, já bem-sucedida com o lançamento do iPhone e iPad, possuía um valor de mercado de aproximadamente US$ 350 bilhões e faturamento anual de US$ 108 bilhões. Muitos questionavam se Cook, com seu perfil focado em operações e cadeia de suprimentos, conseguiria manter o ritmo inovador estabelecido por Jobs. Os números, no entanto, respondem a essa pergunta com clareza.
Sob a gestão de Cook, a capitalização de mercado da Apple disparou para mais de US$ 4 trilhões, um crescimento superior a 10 vezes. A receita anual quase quadruplicou, atingindo mais de US$ 416 bilhões no ano fiscal de 2025. A base de dispositivos ativos globalmente ultrapassou a marca de 2,5 bilhões, e a presença física da empresa se expandiu significativamente, com o número de países com Apple Stores mais do que dobrando.
Diversificação de portfólio e o poder dos Serviços
Embora Cook não tenha introduzido um produto com o impacto revolucionário do iPhone original, sua gestão foi marcada pela expansão e consolidação do portfólio de produtos. O Apple Watch, lançado em 2015, solidificou a empresa no mercado de wearables, enquanto os AirPods, de 2016, redefiniram o segmento de áudio sem fio. O Vision Pro, headset de realidade espacial lançado em 2024, representa a aposta mais ambiciosa em uma nova categoria de produto durante sua liderança.
Um dos movimentos estratégicos mais importantes da era Cook foi a redução da dependência do iPhone como única fonte de receita. A divisão de Serviços, que engloba Apple Music, iCloud, App Store e Apple TV+, transformou-se em um negócio bilionário, gerando mais de US$ 100 bilhões anualmente. Essa estratégia tornou a receita da empresa mais previsível e fortaleceu o ecossistema Apple, aumentando o vínculo dos usuários com a marca.
Desafios e a sucessão de John Ternus
Apesar do sucesso inegável, a gestão de Cook também enfrentou críticas. A Apple foi apontada por não liderar a corrida pela inteligência artificial, optando por integrações de terceiros em vez de desenvolver modelos próprios competitivos. O Vision Pro, apesar do investimento, teve uma recepção morna, e o ambicioso Projeto Titan, de um carro elétrico, foi cancelado após anos de desenvolvimento.
A partir de setembro, John Ternus, 51 anos, assume o posto de CEO. Com uma longa carreira na Apple desde 2001, Ternus trabalhou diretamente com Steve Jobs e foi promovido por Cook. Ele é creditado pelo desenvolvimento de produtos como o chip M1 e as versões recentes do iPhone e MacBook. Em seu comunicado, Ternus prometeu “liderar com os valores e a visão que definiram este lugar especial por meio século”. Tim Cook expressou confiança em Ternus, afirmando que ele é “a pessoa perfeita para o trabalho” e que permanecerá na empresa como chairman, contribuindo para a estratégia de longo prazo sem envolvimento operacional direto.
O legado de Tim Cook: escala, consistência e um império tecnológico
A herança de Tim Cook na Apple é definida menos por rupturas e mais pela escala e consistência de suas operações. Ele transformou uma empresa de produtos excepcionais em uma das maiores corporações da história, com uma presença global e uma base de usuários sem paralelo no setor de tecnologia de consumo. Em sua carta aberta, Cook resumiu sua experiência como “o maior privilégio da minha vida”, refletindo sobre o crescimento e a consolidação de uma empresa que moldou o futuro da tecnologia.
Fonte: canaltech.com.br

