Da Casa Branca a Teerã: A Guerra Digital pelas Redes Sociais
O conflito entre Estados Unidos e Irã, que já dura 49 dias, transcendeu os campos de batalha convencionais e se instalou nas redes sociais em uma inédita “batalha de memes”. Ambas as administrações têm recorrido à inteligência artificial e a referências da cultura pop, como filmes e jogos eletrônicos, para enviar mensagens e provocar o adversário.
A Casa Branca Inicia o Jogo com Referências Pop
A iniciativa partiu da Casa Branca em março, com a publicação de montagens que utilizavam o universo de jogos como GTA (Grand Theft Auto) e Mortal Kombat. Frases como “tomamos o controle” e “vitória impecável” foram empregadas, acompanhadas de imagens de bombardeios em território iraniano. A estratégia norte-americana não parou por aí, incorporando personagens icônicos como Homem de Ferro, Walter White de “Breaking Bad” e até mesmo o Bob Esponja, em vídeos que simulavam ataques.
O Irã Responde com “Divertida Mente” e Lego
O governo iraniano não ficou atrás e desenvolveu respostas criativas. Uma das campanhas mais notáveis utilizou inteligência artificial para criar uma paródia do filme “Divertida Mente”, retratando emoções “malignas” dentro da mente de Donald Trump, incentivando decisões agressivas. Em outra frente, embaixadas iranianas em plataformas como o X (antigo Twitter) usaram animações inspiradas em Lego, com personagens em blocos representando líderes e militares de ambos os lados. Essas peças frequentemente faziam referência a episódios específicos do conflito, como um bombardeio que atingiu uma escola primária no sul do Irã.
Provocações e Respostas em Tempo Real
A troca de farpas digitais ganhou um tom pessoal e religioso em 16 de abril, quando a Embaixada do Irã no Tajiquistão publicou um vídeo gerado por IA onde Jesus Cristo aparece dando um soco em Donald Trump e o mandando para o inferno. Essa ação foi uma resposta direta a uma montagem compartilhada por Trump no dia 12 de abril, onde ele aparecia com características semelhantes às de representações de Jesus, imagem que foi posteriormente apagada. Outra peça iraniana, inspirada em “Piratas do Caribe”, intitulada “Os Piratas de Ormuz”, foi publicada no mesmo dia em que novas restrições dos EUA a navios iranianos entraram em vigor, evidenciando a sincronia entre as ações digitais e os eventos geopolíticos.
Fonte: www.poder360.com.br

