Senador Alessandro Vieira denuncia manobra do governo para proteger ministros do STF
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, acusou o governo federal de interferir diretamente no resultado da votação do relatório final da comissão. Segundo Vieira, a inclusão de dois senadores do PT na composição do colegiado, horas antes da votação, foi uma manobra orquestrada para garantir a rejeição do parecer, que pedia o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República. O relatório foi rejeitado por 6 votos a 4.
‘Governo atravessou a rua para proteger ministros’
Em declaração à imprensa, Vieira utilizou a metáfora da Praça dos Três Poderes para ilustrar a proximidade entre o Planalto e o Judiciário. “O governo escolheu atravessar a rua para proteger ministros”, afirmou, referindo-se à articulação política que teria levado à alteração na composição da CPI.
Alterações na comissão e o impacto na votação
A CPI conta com 11 membros titulares. Na véspera da votação, o bloco formado por MDB, PSDB, Podemos e União Brasil promoveu a substituição de integrantes, indicando dois senadores do PT – partido que não integra formalmente o bloco. De acordo com Vieira, essa mudança foi decisiva para a rejeição do relatório, alterando o curso natural da votação.
Relatório técnico e a teimosia dos fatos
Apesar da rejeição política, Alessandro Vieira defendeu a consistência técnica de seu relatório, afirmando que cumpriu o dever de apresentar os fatos apurados com base nas provas coletadas. “Nosso papel foi entregar os fatos. O relatório tem sustentação técnica”, declarou o senador, que tem formação em Direito e foi delegado de Polícia Civil. Ele acredita que, independentemente do desfecho na CPI, as evidências levantadas continuarão a vir à tona, impulsionadas por investigações em andamento e pelo trabalho da imprensa. “Os fatos são teimosos e vão continuar aparecendo”, ressaltou.
Críticas aos ministros e o ambiente democrático
Vieira rebateu as críticas de ministros do STF ao relatório, defendendo que, embora manifestações sejam legítimas em um ambiente democrático, os membros da Corte também devem estar abertos a questionamentos, sem a criação de um “ambiente de invulnerabilidade”. O senador citou falas do presidente Lula, aconselhando os ministros a não transformarem o cargo em um local para se tornarem “milionários” ou ter “atuação partidária”. Ele ainda relatou ter recebido ameaças, classificando a pressão como inaceitável em um contexto democrático.
O Caso Master e as conexões investigadas
O relatório da CPI detalha o esquema do Banco Master, fundado por Daniel Vorcaro, apontando para uma suposta infiltração do crime organizado no poder público e uso do sistema financeiro para lavagem de dinheiro. A investigação centralizou-se nas operações do Master com o BRB, que teria adquirido carteiras de crédito de forma irregular para sustentar a liquidez da instituição privada. O esquema envolvia uma triangulação financeira com a empresa Tirreno, tida como de fachada, permitindo ao Banco Master receber recursos imediatos do BRB sem quitar obrigações, gerando um fluxo de caixa artificial de cerca de R$ 12 bilhões. O documento também destacou a relação com o ministro Alexandre de Moraes, citando oito viagens em aeronaves ligadas a Vorcaro no período em que o escritório da esposa do ministro mantinha contrato com o Master, com repasses milionários. Moraes nega irregularidades e classifica as informações como “ilações”.
Reações dos ministros do STF
Ministros do STF citados no relatório rebateram as acusações. Gilmar Mendes considerou o pedido de indiciamento de magistrados sem base legal e um desvio das atribuições da CPI, alertando para o risco de “arbitrariedades” e “abuso de autoridade”. Dias Toffoli classificou o relatório como “aventureiro”, sem base fática e com o “objetivo de ganhar votos”, defendendo que congressistas que atuam em CPIs com fins eleitorais deveriam ter suas candidaturas impugnadas pela Justiça Eleitoral. O ministro Flávio Dino, embora não tenha tido indiciamento pedido, defendeu o STF, classificando como um “imenso erro histórico” apontar a Corte como o “maior problema nacional” e ressaltou a importância de investigar milicianos e traficantes em vez de focar apenas em membros do Judiciário.
Fonte: www.poder360.com.br

