Impactos Econômicos Devastadores Previstos
A possível redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais no regime 6×1 pode resultar em uma queda de R$ 14,7 bilhões nas vendas, o equivalente a 7% do total, e levar à demissão de 130 mil pessoas, representando 12% do quadro atual. Se a proposta for de 36 horas semanais, os números se agravam drasticamente, com perdas de R$ 32 bilhões em vendas (16%) e a eliminação de 290 mil postos de trabalho (27%) já no primeiro ano.
Em comparação, o presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Glauco Humai, comparou o potencial impacto a um cenário de “desastre” como o observado durante a pandemia de COVID-19. “Vamos continuar com um cenário negativo por muitos anos”, alertou Humai, ressaltando que, diferentemente da recuperação pós-pandemia, as mudanças estruturais impostas pela nova jornada teriam efeitos duradouros e potencialmente piores.
Pequenos Lojistas e Quiosques na Mira
O estudo da Abrasce revela que 60% dos 124 mil lojistas em shoppings são de pequeno porte, com até seis funcionários. Para esses empreendedores, a necessidade de contratar pessoal adicional para manter o expediente atual significaria um aumento de até 30% nos custos com folha salarial, um ônus insustentável para suas margens de lucro. “Isso desequilibraria totalmente o negócio”, afirmou Humai.
A situação se agrava ainda mais para os 16 mil quiosques, que frequentemente operam com apenas uma ou duas pessoas. A obrigatoriedade de contratar mais um funcionário tornaria esses negócios “totalmente inviáveis”, levando ao seu fechamento “da noite para o dia”. Humai lamentou a perda potencial desses espaços, que servem como “testes para muitas marcas e como primeiro emprego para muita gente”.
Desemprego e Informalidade como Consequências
Segundo o presidente da Abrasce, a premissa é que os lojistas não terão condições de arcar com os custos de contratação adicional. A consequência direta seria a demissão de funcionários, que seriam substituídos por outros dispostos a aceitar salários menores, ou a migração de trabalhadores para a informalidade. “A pessoa vai ter que aceitar um salário menor ou trabalhar na informalidade”, previu Humai.
Tempo Livre Não Gera Mais Consumo
Contrariando a ideia de que mais tempo livre impulsionaria o consumo nos shoppings, Humai classificou essa perspectiva como “falaciosa”. Ele argumentou que, na prática, a perda de empregos e a redução salarial forçariam as pessoas, especialmente as de baixa renda, a buscar fontes de renda adicionais, em vez de aumentar seus gastos. “As pessoas de baixa renda vão buscar uma fonte adicional de renda, porque o salário que ganha hoje não é suficiente”, concluiu.
Fonte: viva.com.br

