IA e Agentes Autônomos Lideram Transformação no Setor de Saúde
A inteligência artificial (IA), agentes autônomos de saúde e a adoção de novos modelos de negócios emergem como as principais forças impulsionadoras de mudanças no setor de saúde global. Empresas do ramo estão investindo massivamente em IA com o objetivo de fomentar seu crescimento, apesar de um nível de preparo e maturidade tecnológica ainda considerado baixo, segundo análise exclusiva da Deloitte obtida pelo Futuro da Saúde.
O relatório, baseado nas pesquisas “Life Sciences Outlook” e “Healthcare Outlook” de 2026, consultou 280 executivos de indústrias farmacêuticas e de dispositivos médicos, além de 180 executivos de hospitais e planos de saúde com receitas anuais superiores a 500 milhões de dólares. Os participantes eram de países como Estados Unidos, Austrália, Canadá, Alemanha, Países Baixos e Reino Unido.
Otimismo Cauteloso e Foco em Produtividade
Executivos do setor farmacêutico e de dispositivos médicos demonstraram otimismo em relação à indústria, com 90% expressando confiança no mercado europeu e asiático, e 60% nos Estados Unidos. Apesar de um ambiente volátil, influenciado por questões geopolíticas e incertezas na cadeia de suprimentos, a confiança financeira geral é notada. Luis Fernando Joaquim, sócio-líder para Life Sciences & Health Care, destaca que mais de 80% dos executivos entrevistados têm uma perspectiva positiva ou cautelosamente positiva para suas organizações.
A IA é vista como uma ferramenta crucial para a redução de custos e otimização da força de trabalho. Cerca de 64% dos entrevistados acreditam que a IA pode diminuir despesas ao padronizar e automatizar fluxos de trabalho, enquanto 55% vislumbram economia com o uso de análises preditivas para aprimorar a gestão de pessoal. Essa busca por eficiência é impulsionada pela preocupação com a escassez de profissionais de saúde, o envelhecimento populacional e o elevado índice de burnout.
IA Generativa e Acesso: Novas Fronteiras na Indústria Farmacêutica
Para as indústrias farmacêutica e de dispositivos médicos, a IA generativa (41%) e os agentes de IA (30%) ganham destaque. Embora apenas 9% dessas empresas já tenham um retorno significativo sobre o investimento (ROI) com essas tecnologias, elas estão evoluindo de provas de conceito para aplicações concretas. A IA acelera a produtividade em pesquisa e desenvolvimento (P&D), facilitando a descoberta e o lançamento de novas drogas e otimizando processos de entrada no mercado.
A precificação de medicamentos e produtos médicos também é um ponto de atenção, com estratégias de preço, acesso, contratação e reembolso (32%) sendo otimizadas em resposta a mudanças políticas e pressões competitivas em mercados como Estados Unidos e Brasil.
Prioridades em Medtech e Desafios de Resiliência
No setor de medtech, 49% das empresas priorizam o desenvolvimento de IA de suporte. Outras frentes importantes incluem o reforço da cibersegurança e privacidade de dados (46%) e a expansão do portfólio (36%). Um desafio comum é equilibrar a complexidade de engenharia com a rapidez de lançamento no mercado, apontado por 62% dos executivos.
A resiliência organizacional, um forte indicador de perspectivas positivas de receita, é um ponto de preocupação. Apenas 56% dos líderes afirmam que suas organizações são resilientes atualmente, o menor índice entre os indicadores de preparação medidos.
Transformação de Cuidados e Cibersegurança em Foco
Fora dos Estados Unidos, 45% dos executivos apontam a transformação dos modelos de cuidados como uma tendência chave para 2026, com 38% focando em cuidados preventivos e detecção precoce de doenças. No Brasil, a estabilização dos planos de saúde, embora marcada por reajustes elevados, abre espaço para o diálogo com prestadores visando a melhoria da qualidade e a redução de custos. Novas parcerias e joint ventures entre hospitais e planos de saúde são vistas como caminhos para maior eficiência e integração do sistema.
A cibersegurança e a privacidade de dados são preocupações crescentes, equiparando-se aos investimentos em IA generativa e plataformas digitais de saúde, e superando os investimentos esperados em computação em nuvem. Esse tema é uma prioridade para quase metade dos executivos de sistemas de saúde fora dos EUA e ganha cada vez mais relevância no Brasil.
Fonte: futurodasaude.com.br

