Brasil aposta em fitoterápicos para alavancar bioeconomia e saúde pública
O governo federal lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), colocando os fitoterápicos como um dos pilares estratégicos para o crescimento do Brasil no mercado global. O plano estabelece metas ambiciosas, como a incorporação de 15 novos produtos fitoterápicos ao Sistema Único de Saúde (SUS) e o aumento da participação desses medicamentos no mercado farmacêutico nacional para 5% até 2035, frente aos atuais 0,5%. A expectativa é que o faturamento do setor, que em 2022 foi de US$ 173 milhões, possa alcançar R$ 10 bilhões.
Frente Parlamentar e novas regulações buscam destravar o potencial do setor
Em paralelo, a criação da Frente Parlamentar em Defesa da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos reacende o debate sobre o potencial ainda subexplorado do Brasil, país detentor de uma das maiores biodiversidades do mundo. Apesar disso, o país possui cerca de 350 fitoterápicos aprovados, um número significativamente menor que o de países como Alemanha (10 mil) e Reino Unido (3 mil). A Anvisa, por sua vez, atualizou em dezembro o marco regulatório para registro e notificação de fitoterápicos, buscando adequar a legislação e ampliar o uso da biodiversidade brasileira.
Desafios estruturais e a necessidade de políticas consistentes
Especialistas apontam que, apesar dos avanços regulatórios e da crescente demanda por produtos naturais, o mercado brasileiro de fitoterápicos ainda enfrenta gargalos históricos. A baixa articulação entre indústria e poder público, a ausência de incentivos consistentes e a limitada integração dessas terapias à prática médica são alguns dos entraves. A falta de um ecossistema de pesquisa e inovação mais robusto também dificulta a geração de evidências e a escalabilidade da produção.
Compras públicas e investimento em pesquisa são chaves para o crescimento
A inclusão de fitoterápicos nas compras públicas, especialmente no SUS e na Farmácia Popular, é vista como um fator central para o desenvolvimento do setor. Ao garantir demanda, o Estado pode organizar a cadeia produtiva, estimular a produção nacional e reduzir riscos para os investidores. Para que o mercado ganhe escala, é fundamental estruturar um pipeline contínuo que conecte pesquisa, desenvolvimento e produção industrial, com uma política clara e integrada entre os diferentes ministérios e órgãos governamentais.
Fonte: futurodasaude.com.br

