Ibovespa em patamares históricos contra títulos públicos atrelados à inflação
Um levantamento da TAG Investimentos revela que o Ibovespa atingiu seu maior nível relativo em comparação com a NTN-B 2050 desde 2010. Essa disparidade sugere que a bolsa de valores brasileira pode estar supervalorizada, enquanto a inflação futura não está sendo adequadamente precificada pelo mercado.
Enquanto o Tesouro IPCA 2025 tem oferecido juros fixos acima de 7% por um período considerável, o Ibovespa ultrapassou os 180 mil pontos, registrando uma valorização superior a 38% em apenas um ano. Essa discrepância levanta preocupações sobre a sustentabilidade da alta do mercado acionário.
TAG Investimentos aumenta exposição a ativos atrelados à inflação
Diante desse cenário, a TAG Investimentos, que administra cerca de R$ 17 bilhões, decidiu reforçar a recomendação de ativos atrelados à inflação em suas carteiras modelo. Na composição moderada de março, a alocação em títulos indexados ao IPCA atingiu 25%, tornando-se a principal classe de ativo, superando o pós-fixado de crédito e caixa (15%) e a renda variável (10%).
“Se o preço da NTN-B está correto, a bolsa não pode estar certa em seu nível de valorização atual”, afirma André Leite, diretor de investimentos da TAG. Ele argumenta que a valorização recente da bolsa parece insustentável em um contexto de deterioração fiscal e juros elevados, que já estariam embutidos no preço dos títulos de longo prazo.
Descolamento técnico e fluxo de investimentos explicam a distorção
A gestora atribui o descolamento entre a bolsa e os títulos públicos a uma distorção técnica impulsionada por fluxos de investimento. Uma realocação global de portfólios para mercados emergentes beneficiou a bolsa brasileira, com investidores estrangeiros preferindo ações em detrimento de títulos públicos, especialmente após o Brasil perder o grau de investimento.
Adicionalmente, a popularidade das debêntures incentivadas entre investidores locais reduziu a demanda por NTN-Bs. Gestores que convertem a remuneração desses títulos de IPCA para CDI acabam sendo forçados a vender NTN-Bs no mercado futuro, aumentando a oferta e pressionando os preços desses papéis para baixo.
Inflação como risco persistente e atratividade dos títulos indexados
A TAG Investimentos considera os títulos indexados à inflação mais atraentes que a renda variável no momento. A gestora prevê que a inflação continuará sendo um risco subprecificado pelo mercado, com efeitos potencialmente mais persistentes devido a restrições de oferta globais em setores como energia, combustíveis e fertilizantes.
“Num cenário como este, a inflação continua sendo o risco mais mal precificado pelo mercado, e é por isso que hoje a proteção em IPCA faz mais sentido do que aumentar o risco em bolsa. Além de ser o melhor hedge da carteira”, analisa Leite. Essa visão é reforçada pela recente revisão da projeção de inflação para 2026 pelo Banco Central.
Fonte: neofeed.com.br

