Brasil Mantém Apoio a Bachelet Apesar de Recuo Chileno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou neste sábado (28.mar.2026) que o Brasil, em conjunto com o México, mantém o apoio à candidatura de Michelle Bachelet para a secretaria-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A declaração surge em um momento delicado, após o presidente chileno, Antonio Kast, ter retirado o respaldo de seu país à ex-presidente. Em publicação na rede social X, Lula ressaltou que Bachelet possui um “currículo invejável” para o cargo, citando seus dois mandatos presidenciais no Chile e sua experiência em órgãos da ONU.
Qualificações e Potencial de Bachelet para Liderança Global
“Ela tem todas as credenciais para ser a primeira mulher latino-americana a liderar a organização”, escreveu o presidente brasileiro, destacando o potencial de Bachelet para promover a paz, fortalecer o multilateralismo e recolocar o desenvolvimento sustentável no centro da agenda internacional. Sua trajetória e conhecimento da dinâmica interna dos secretariados da ONU são vistos como diferenciais importantes para a função.
Mudança de Postura Chilena e Cenário de Candidaturas
A decisão do presidente chileno Antonio Kast, que assumiu o cargo em 11 de março, de retirar o apoio do Chile à candidatura de Bachelet representa um obstáculo político, embora não jurídico, para a ex-mandatária. O governo anterior, de Gabriel Boric, já havia estabelecido um apoio triplo à postulação. Com a mudança de governo, o Chile informou que adotará uma posição neutra, em respeito à trajetória de Bachelet. Atualmente, quatro candidatos disputam o cargo, sendo três latino-americanos: Michelle Bachelet, o argentino Rafael Mariano Grossi (diretor da Agência Internacional de Energia Atômica) e a costarriquenha Rebeca Grynspan. O ex-presidente do Senegal, Macky Sall, é um potencial candidato africano.
Desafios no Conselho de Segurança e Estratégia Brasileira
A eleição para secretário-geral da ONU é decidida pelo Conselho de Segurança, onde países como Estados Unidos, China e Rússia detêm poder de veto. Pequim já sinalizou que só apoiará uma candidata latino-americana se houver consenso de seu próprio país, algo que Bachelet não possui no momento. O Brasil reconhece essa dificuldade, mas avalia que o processo está em seus estágios iniciais e que outros candidatos também enfrentam obstáculos com membros permanentes do Conselho. Rafael Grossi, por exemplo, enfrenta ceticismo da China e da Rússia devido à sua posição ambígua em relação a conflitos recentes e sua proximidade com Washington.
Fonte: www.poder360.com.br

