Defesa alega “esclarecimento” após novas declarações sobre intimidade com a vítima.
O tenente-coronel da Polícia Militar, investigado pela morte da esposa, a também policial Gisele Dias, mudou sua versão sobre os fatos que levaram à morte da companheira. Inicialmente, o militar alegou suicídio, mas agora, segundo seu advogado, admite ter tido uma relação sexual com Gisele na noite anterior à sua morte. A defesa classifica a nova declaração como um “esclarecimento” e um “complemento” ao que já havia sido dito, afirmando que a cronologia dos fatos não apresenta contradições.
Casal dormia em quartos separados devido a suspeitas de traição.
Conforme o relato do oficial, o casal estava em processo de separação e teria decidido ter um momento de intimidade “pela última vez”. Segundo a investigação, Gisele e o tenente-coronel dormiam em quartos separados há cerca de oito meses, após ela suspeitar de traição por parte dele. O advogado do policial explicou que, apesar de dormirem em camas separadas, a decisão de ter um momento íntimo naquela noite partiu de ambos.
Perícia encontra evidências de alteração da cena e do corpo da vítima.
Um relatório final da investigação, realizado pela Polícia Civil, aponta que o tenente-coronel não apenas alterou a cena do crime, mas também mexeu no corpo de Gisele antes de acionar o resgate. Evidências encontradas a partir do sangue da vítima confirmam a autoria do feminicídio e a prática de fraude processual. A Justiça autorizou a exumação do corpo da soldado, e exames posteriores revelaram a presença de espermatozoides no canal vaginal, indicando uma relação sexual recente.
Mensagens revelam exigência de submissão da esposa.
Postagens atribuídas ao tenente-coronel e anexadas ao processo revelam um padrão de comportamento onde ele exigia submissão de Gisele, justificando sua posição como o “provedor” financeiro da casa. Em uma das mensagens, ele escreve: “Eu pago tudo sozinho (…) e você investe quanto? Amor, carinho atenção, dedicação, sexo (…) nem isso você faz.” Ele também utilizava termos como “Marido Provedor, esposa carinhosa e submissa” e se descrevia como “Macho Alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa”.
Policial foi encontrada ferida e não resistiu.
Gisele Dias foi encontrada caída e gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, em seu apartamento no Brás, região central de São Paulo. Socorrida e levada de helicóptero ao Hospital das Clínicas, ela não resistiu e o atestado de óbito registrou traumatismo cranioencefálico por disparo de arma de fogo como causa da morte. O caso, que inicialmente foi tratado como suicídio, passou a ser investigado como feminicídio. O oficial tornou-se réu pelos crimes de feminicídio e fraude processual, e sua prisão preventiva foi mantida pelo Superior Tribunal de Justiça.
Fonte: viva.com.br

