Michel Rolland, o Enólogo ‘Voador’ Que Moldou o Sabor Global do Vinho, Morre Aos 78 Anos
Michel Rolland, um dos nomes mais influentes e comentados da enologia moderna, faleceu em 20 de março, aos 78 anos, em sua terra natal, Bordeaux. Com uma carreira de 56 anos, Rolland se destacou por sua atuação como consultor em mais de 600 vinícolas espalhadas por 22 países, incluindo o Brasil. Ele é amplamente creditado por popularizar um estilo de vinho potente, frutado e com marcante passagem por barricas de carvalho, uma abordagem que, ao lado do crítico Robert Parker, dominou o mercado por décadas, mas que também gerou debates sobre a padronização do sabor.
O ‘Enólogo Voador’ e Sua Visão Inovadora
Nascido em Libourne, Rolland herdou o Château Le Bon Pasteur e rapidamente demonstrou um talento excepcional para a arte dos assemblages. Sua fama como o “enólogo voador” surgiu de sua intensa agenda de viagens globais, onde aplicava sua expertise técnica e estética. Sua parceria com Robert Parker foi fundamental para consolidar o estilo de vinhos que buscava potência e expressividade frutada, influenciando significativamente a produção tanto na Europa quanto no chamado Novo Mundo. Essa visão ajudou a elevar Bordeaux a uma marca global, mas também atraiu críticas de puristas que viam nisso uma ameaça à diversidade e tradição vinícola.
Da Argentina ao Brasil: Um Impacto Global
A influência de Rolland se estendeu por todos os continentes. Na Argentina, seu papel na criação do icônico Clos de los Siete, em Mendoza, é um marco, onde reuniu outros produtores de Bordeaux para um projeto ambicioso. O país sul-americano se tornou uma espécie de “segunda casa” para o enólogo. No Brasil, Rolland prestou consultoria ao Grupo Miolo entre 2003 e 2013, um período em que, segundo Adriano Miolo, presidente do grupo, sua presença “ajudou a acelerar o desenvolvimento qualitativo dos vinhos brasileiros”.
Controvérsias e Legado Duradouro
Michel Rolland não se furtava a expressar suas opiniões, muitas vezes contundentes. Ele chegou a afirmar que, antes de sua intervenção, o vinho europeu estava na “Idade Média” e o do Novo Mundo “não existia”. Essa autoconfiança, embora admirada por muitos, também alimentou críticas e o documentário “Mondovino” (2004) o retratou como um manipulador. Nos seus últimos anos, Rolland observou uma mudança nas preferências do mercado, com um crescente interesse por vinhos mais frescos e menos marcados pela madeira. Apesar disso, ele sempre defendeu que “não se fazem grandes vinhos sem madeira”.
Uma Carreira de Paixão e Dedicação
Apesar de ter reduzido o ritmo de consultorias nos últimos anos, chegando a trabalhar com cerca de 100 vinícolas em 14 países, Rolland nunca parou completamente. Sua paixão pelo vinho era evidente, assim como sua capacidade de adaptação e aprendizado. Ele deixa um legado complexo, marcado por inovação, sucesso comercial e um debate contínuo sobre o futuro do vinho. Rolland deixa sua companheira Isabelle, as filhas Stéphanie e Marie, e sua primeira mulher e parceira de negócios, Dany, com quem manteve uma relação profissional sólida.
Fonte: neofeed.com.br

