Pressão no Suprimento Nacional
Seis entidades representativas do setor de combustíveis no Brasil emitiram um alerta conjunto sobre a segurança energética do país. A combinação do conflito no Oriente Médio com a estrutura de custos interna está pressionando o suprimento nacional de combustíveis, especialmente o diesel. As entidades destacam que, apesar das medidas anunciadas pelo governo federal, como a isenção do PIS/Cofins sobre o diesel e uma subvenção de R$ 0,32 por litro, os efeitos dessas ações não se traduzem de forma imediata ou integral no preço final pago pelo consumidor nos postos de revenda.
Formação de Preço e Impacto do Biodiesel
A complexa formação de preço do diesel comercializado no Brasil é um dos pontos centrais do alerta. O diesel vendido ao consumidor, o diesel B, é composto por 15% de biodiesel. O custo e a mistura deste componente influenciam diretamente o valor final, somando-se ao preço do diesel puro (diesel A). Nesse contexto, o recente aumento de R$ 0,38 por litro anunciado pela Petrobras para o diesel puro já anula, na prática, o valor da subvenção governamental oferecida. O documento ressalta que, embora os instrumentos de desoneração e subvenção sejam relevantes para minimizar pressões de custo, seus efeitos no preço final dependem da estrutura de precificação, das condições de suprimento e da tributação ao longo de toda a cadeia produtiva.
Reajustes da Petrobras e Mercado Internacional
A nota das entidades enfatiza que refinarias privadas e importadores, responsáveis por uma parcela significativa do abastecimento nacional, operam com preços alinhados às referências do mercado internacional. Por não extraírem petróleo no Brasil, esses agentes são mais suscetíveis às oscilações do barril de petróleo, que disparou para US$ 112 nesta sexta-feira (20.mar.2026) devido aos conflitos. Atualmente, o diesel tem sido negociado em leilões a preços superiores aos de referência da Petrobras, o que eleva os custos de reposição de estoques para todos os agentes do setor.
Apelo por Medidas Urgentes
Diante do cenário de elevada volatilidade externa e dos reajustes de custos, o setor de combustíveis clama pela adoção de medidas com a “maior brevidade possível” para evitar o agravamento dos riscos de desabastecimento no país. As entidades se colocam à disposição para um diálogo técnico com as autoridades, visando preservar o regular funcionamento do mercado, a segurança energética e o abastecimento nacional diante da escalada de custos de reposição de estoques. O bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo consumido mundialmente, é apontado como um fator crítico que intensifica a instabilidade.
Fonte: www.poder360.com.br

