Diálogos Revelam Controle e Agressividade
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, indiciado pelo feminicídio de sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, apresentava-se em mensagens de texto como um “macho alfa provador” e exigia que a companheira agisse como uma “fêmea beta obediente e submissa”. Os diálogos, extraídos do celular do policial militar, foram apresentados pelo Ministério Público de São Paulo, que denunciou o caso à Justiça. A 5ª Vara do Júri de São Paulo aceitou a denúncia e decretou a prisão preventiva de Geraldo Neto.
Defesa Contesta Divulgação de Conteúdo
Em nota, a defesa de Geraldo Neto alega que informações e interpretações sobre a “vida privada” do tenente-coronel estão sendo divulgadas de forma descontextualizada, o que, segundo eles, atinge a honra e a dignidade do policial. No entanto, o Ministério Público sustenta que as mensagens revelam um relacionamento conturbado, marcado por violência, e indicam que o desejo de separação partiu da própria Gisele, e não do acusado.
Relacionamento Marcado por Tensão Financeira e Sexual
Um trecho de diálogo apresentado pelas promotoras Ingrid Maria Bertolino Braido e Daniela Romanelli da Silva, datado de 2 de fevereiro, poucos dias antes da morte de Gisele, ilustra a tensão no relacionamento. Geraldo questiona o investimento da esposa, citando seus próprios gastos com aluguel, condomínio, contas e despesas gerais. Ele argumenta que, embora ela não tivesse como contribuir financeiramente, deveria investir “amor, carinho, atenção, dedicação, sexo”. Gisele responde que sua percepção de contribuição não se limitava a aspectos financeiros e que, por ela, eles poderiam se separar, afirmando que não trocaria “sexo por moradia”.
Histórico de Violência e Suspeita de Fraude Processual
Segundo a promotoria, as mensagens, em conjunto com outras evidências, demonstram um comportamento machista, agressivo, possessivo, manipulador e autoritário por parte do tenente-coronel. Além disso, há indícios de que Geraldo Neto alterou a cena do crime após o disparo para simular um suicídio. A acusação também ressalta que o policial militar possui um histórico de violência contra ex-companheiras e colegas de trabalho. A defesa, por outro lado, alega que Gisele atentou contra a própria vida após ser informada sobre o desejo de separação por parte de Geraldo Neto.
Fonte: viva.com.br

