Governador de SP defende cooperação internacional
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), declarou que a possível designação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas pelos Estados Unidos representa uma “oportunidade”. Segundo Tarcísio, a medida facilitaria a cooperação entre os países para um combate mais eficaz ao crime organizado.
Em entrevista coletiva na quarta-feira (11.mar.2026), após um evento no Centro Operacional do Metrô de São Paulo, o governador afirmou que a classificação por parte do governo norte-americano abriria caminho para a integração de inteligência e o acesso a recursos financeiros.
EUA consideram facções “ameaças significativas”
O Departamento de Estado dos EUA informou na mesma quarta-feira que considera o PCC e o CV como “ameaças significativas à segurança regional”. Notícias veiculadas no domingo anterior (8.mar.2026) indicavam que o governo do então presidente Donald Trump estaria prestes a anunciar essa designação, com a documentação já finalizada.
No entanto, o Departamento de Estado dos EUA declarou ao Poder360 que não divulga antecipadamente nem deliberações sobre possíveis designações de grupos terroristas.
Posição divergente do governo federal
A visão de Tarcísio de Freitas contrasta com a postura adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em maio de 2025, o então secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, e o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmaram que as facções criminosas brasileiras não se enquadram como “terroristas” por não defenderem uma causa ou ideologia específica.
Temores sobre soberania e intervenção
A possibilidade de classificação das facções como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) pelos EUA também levanta preocupações no governo brasileiro. Há o temor de que tal designação possa facilitar intervenções unilaterais norte-americanas, incluindo o uso da força militar, em território nacional. Essa apreensão teria sido intensificada após a invasão da Venezuela e a captura de Nicolás Maduro pelos EUA.
Outra preocupação é que a classificação como FTOs possa ser interpretada como uma violação da soberania brasileira, um ponto especialmente sensível após medidas comerciais impostas pelos Estados Unidos anteriormente.
O que significa a designação de FTO?
Segundo o Departamento de Estado dos EUA, a designação de uma organização como terrorista estrangeira acarreta o congelamento de seus ativos financeiros, restrições de imigração para seus membros e a criminalização de qualquer apoio material ou financeiro voluntário. Integrantes de FTOs estrangeiros são impedidos de entrar nos Estados Unidos e podem ser deportados.
A designação é feita pelo Secretário de Estado, com base na Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA. Para que um grupo seja classificado como FTO, ele deve ser estrangeiro, estar envolvido em atividades terroristas ou ter a capacidade e intenção de fazê-lo, além de representar uma ameaça à segurança de cidadãos ou à segurança nacional dos Estados Unidos.
Fonte: www.poder360.com.br

