Brasil e África do Sul buscam independência tecnológica em defesa
Em um pronunciamento contundente no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta segunda-feira (9), a necessidade de o Brasil e a África do Sul desenvolverem capacidade autônoma em defesa. Durante um encontro com o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, Lula ressaltou que o Sul Global não precisa depender de potências estrangeiras para armamentos, enfatizando o potencial produtivo conjunto dos dois países. A declaração surge em um contexto de preocupações crescentes com a segurança regional e a modernização das Forças Armadas.
“Nós pensamos em defesa como dissuasão. Se a gente não preparar essa questão, alguém invade a gente”, afirmou Lula, contrastando a vocação pacífica de seus países, cujos drones são voltados para agricultura e tecnologia, com a indústria bélica de outras nações. A sugestão é que os ministros da Defesa de Brasil e África do Sul se reúnam ainda hoje para dar andamento às negociações.
Cooperação comercial e climática em pauta
A visita oficial de Ramaphosa ao Brasil teve como foco principal a expansão do comércio bilateral, considerado aquém do potencial das duas economias emergentes. Foram assinados dois memorandos de entendimento, e Ramaphosa expressou o desejo de que os países cooperem em um nível muito mais elevado. Em 2025, o intercâmbio comercial entre Brasil e África do Sul somou US$ 2,3 bilhões, segundo dados do ComexStat.
Além da defesa e do comércio, Lula solicitou o apoio de Ramaphosa à participação da África do Sul no Fundo para Resposta a Perdas e Danos (FRLD), um mecanismo da ONU voltado a compensar países vulneráveis pelos impactos das mudanças climáticas, tema de grande relevância para a África do Sul diante das crescentes pressões climáticas no continente.
Diálogos multilaterais e futuras reuniões
Os dois líderes devem se encontrar novamente em Barcelona, na Espanha, em 18 de abril, para a 4ª reunião em defesa da democracia. Há expectativa de novos encontros durante o G7, os Brics e o G20 ainda em 2026. Lula destacou a importância da África do Sul para o G20, em um momento de tensões diplomáticas que levaram à exclusão do país da próxima cúpula em Miami, organizada por Donald Trump.
Visita oficial marcada por honras militares
A recepção a Ramaphosa no Palácio do Planalto incluiu uma cerimônia de honra militar, onde os presidentes se cumprimentaram e acompanharam o desfile. A agenda em Brasília também contou com o Fórum Empresarial Brasil-África do Sul, organizado pela ApexBrasil em parceria com o Ministério das Relações Exteriores, reunindo representantes do setor privado de ambos os países.
Fonte: www.poder360.com.br




